Depois de 39 dias de guerra contra o Irã, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elevou o tom ao ameaçar lançar “o inferno” sobre o país caso o Estreito de Ormuz não seja reaberto até as 21h (horário de Brasília) de terça-feira, 7.

Na manhã do mesmo dia, escreveu em sua rede social que “uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais ser ressuscitada”, ampliando a tensão em torno de uma das principais rotas estratégicas do comércio global.

A resposta iraniana veio em tom de rejeição. Em coletiva, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baghaei, classificou as exigências dos Estados Unidos como “altamente excessivas e incomuns, além de ilógicas”. Teerã mantém a posição de exigir compensação financeira pelos danos dos ataques, a retirada definitiva das bases militares norte-americanas da região e o fim permanente da guerra, incluindo as frentes no Líbano e na Faixa de Gaza.

Reações internacionais ampliam pressão por contenção

A repercussão foi imediata. A China manifestou “profunda preocupação” com o prolongamento do conflito e alertou que a escalada não atende aos interesses de nenhuma das partes. Segundo a porta-voz Mao Ning, o conflito já provocou perdas significativas, afetou a estabilidade regional e trouxe impactos diretos para a economia mundial e a segurança energética.

Pequim defendeu que os países envolvidos adotem medidas para aliviar a situação e retomem negociações. O posicionamento reforça o esforço de contenção diante do risco de expansão do conflito para além da região.

Na Europa, o alerta veio acompanhado de crítica direta. A União Europeia pediu que os Estados Unidos evitem ataques a infraestrutura civil no Irã, apontando risco de violação do direito internacional humanitário. O presidente do Conselho Europeu, António Costa, classificou esse tipo de ação como “ilegal e inaceitável” e afirmou que a escalada não contribuirá para um cessar-fogo.

Golfo pressiona por nova arquitetura de segurança

Nos Emirados Árabes Unidos, a avaliação é de que um cessar-fogo, isoladamente, não responde ao impasse. O assessor diplomático Anwar Gargash defendeu a criação de uma nova arquitetura de segurança regional, que inclua controle de mísseis, limites ao programa nuclear e garantias internacionais para o funcionamento do Estreito de Ormuz.

Gargash afirmou que o país não confia no atual regime iraniano e indicou disposição para integrar uma coalizão internacional voltada à reabertura da rota marítima. Para ele, o estreito não pode permanecer sob controle de um único ator em meio ao conflito.

Críticas internas expõem desgaste político nos EUA

Dentro dos Estados Unidos, a condução da crise também passou a ser questionada. O ex-assessor de Segurança Nacional John Bolton afirmou que Trump demonstra falta de estratégia clara e reage de forma improvisada diante da escalada.

Segundo Bolton, o presidente enfrenta um dilema de credibilidade ao não conseguir apresentar resultados concretos enquanto o bloqueio do Estreito de Ormuz persiste. Ele avalia que a pressão interna cresce à medida que o conflito se prolonga e se torna mais complexo do que o previsto inicialmente.

O impacto já se reflete no mercado. O petróleo Brent ultrapassou os US$ 110 por barril, sinalizando a dimensão global da crise e seus efeitos diretos sobre a segurança energética.