O avanço da inteligência artificial e as respostas institucionais a seus efeitos passaram a organizar parte importante da agenda internacional na última semana. O desempenho de modelos chineses no uso global indica uma mudança de escala na disputa tecnológica, enquanto governos começam a reagir a impactos que já se fazem sentir no cotidiano.
Na Europa, o debate sobre redes sociais ganhou contornos mais concretos, com propostas de restrição ao acesso por crianças e adolescentes. A discussão desloca o foco do comportamento individual para o funcionamento das plataformas e o papel dos algoritmos na ampliação do tempo de uso.
Nos Estados Unidos, uma decisão da Suprema Corte recoloca no centro do debate político os desdobramentos do ataque ao Capitólio. O movimento ocorre em meio à reorganização do campo conservador e amplia a pressão sobre instituições e sobre o próprio sistema de justiça.
Modelos chineses de IA ocupam as seis primeiras posições em ranking global de uso
Modelos chineses de inteligência artificial lideraram um ranking global de uso na semana de 30 de março a 5 de abril, ocupando as seis primeiras posições por consumo de tokens, segundo dados da OpenRouter, plataforma que agrega grandes modelos de linguagem.
Dois modelos da série Qwen 3.6, da Alibaba, figuraram entre os três mais usados. O Qwen3.6 Plus, na versão gratuita, liderou com 4,6 trilhões de tokens na semana, enquanto o Qwen3.6 Plus Preview apareceu em terceiro lugar, com 1,64 trilhões.
O avanço também foi observado na medição diária. Lançado na quinta-feira, o Qwen3.6-Plus teria alcançado mais de 1,4 trilhão de tokens em um único dia, no sábado, marca classificada como recorde pela plataforma.
Cálculos citados na reportagem do Global Times indicam que o uso global de modelos de linguagem somou 27 trilhões de tokens no período, com alta semanal de 18,9%. Modelos chineses responderam por 12,96 trilhões, com crescimento mais acelerado, enquanto os modelos dos EUA totalizaram 3,03 trilhões.
Um pesquisador da Academia de Ciências Sociais de Pequim atribuiu o desempenho à rápida incorporação desses sistemas em plataformas de grande alcance, como comércio eletrônico, redes sociais e serviços públicos, além da estratégia de oferecer versões gratuitas, ampliando a adoção.
O relatório de trabalho do governo chinês também prevê investimentos em infraestrutura de computação e energia para sustentar a expansão desses sistemas.
UE promove estudos para restrições de uso de redes sociais para menores
Governos europeus discutem impor restrições ou proibições ao uso de redes sociais por menores, impulsionados por preocupações com saúde mental, cyberbullying e exposição a conteúdos nocivos.
A Austrália adotou, em dezembro, uma proibição para menores de 16 anos, medida que passou a influenciar propostas na Europa. Na Áustria, discute-se um possível banimento para menores de 14 anos, enquanto o Parlamento Europeu avalia estabelecer a idade mínima de 16 anos para acesso independente.
O debate divide opiniões. Defensores afirmam que a medida pode proteger crianças e adolescentes. Críticos apontam falhas nos sistemas de verificação de idade e alertam para a possibilidade de migração para ambientes menos regulados.
Apesar da divergência, há consenso crescente sobre a necessidade de rever o funcionamento das plataformas, especialmente o papel dos algoritmos na ampliação do tempo de uso.
Na França, o Senado aprovou um projeto para bloquear o acesso de menores de 15 anos, com vigência prevista para setembro. Em Portugal, o governo propôs restringir o acesso livre a menores de 16 anos, com liberação condicionada ao consentimento dos responsáveis. No Reino Unido, está em teste uma medida com 300 adolescentes, acompanhada de consulta pública.
Suprema Corte dos EUA abre caminho para arquivar acusações contra Steve Bannon
A Suprema Corte dos Estados Unidos abriu caminho para que o Departamento de Justiça arquive o processo criminal contra Steve Bannon, aliado de Donald Trump, condenado em 2022 por desacato ao Congresso.
Em decisão breve e sem assinatura, os ministros anularam a manutenção da condenação por instância inferior e devolveram o caso para reanálise, considerando uma moção de arquivamento já apresentada.
Segundo documentos citados na reportagem, o Departamento de Justiça afirmou que a desistência do caso atende ao “interesse da justiça” e reiterou que havia solicitado o encerramento do processo na primeira instância.
Bannon cumpriu quatro meses de prisão após a Corte ter negado, em 2024, um pedido para permanecer em liberdade durante o andamento do recurso. Ao deixar a prisão, retomou a apresentação do podcast War Room e voltou a participar de eventos políticos.
Ele foi conselheiro da campanha de Trump em 2016 e estrategista da Casa Branca em 2017, além de estar envolvido em outros episódios judiciais. Em 2025, declarou-se culpado em Nova York por fraude ligada a uma arrecadação privada para a construção de um muro na fronteira com o México, evitando a prisão.
