Em mais uma bravata proferida por meio de coletiva de imprensa, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou realizar ataques sem precedentes no Irã caso o país do Oriente Médio não reabra o Estreito de Ormuz até a noite desta terça-feira (7).

Uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais ser ressuscitada. Eu não quero que isso aconteça, mas provavelmente acontecerá (…) Talvez algo revolucionário e maravilhoso possa acontecer, Descobriremos esta noite, em um dos momentos mais importantes da longa e complexa história do mundo. 47 anos de extorsão, corrupção e morte finalmente chegarão ao fim. Deus abençoe o grande povo do Irã!”, afirmou o republicano.

O recado foi dado logo após a recusa de ambos os países por um cessar-fogo mediada pelo Paquistão em 6 . O Irã recusa tréguas temporárias, exigindo o fim total das hostilidades, enquanto a Casa Branca de Trump não “validou” o plano, agravando a crise energética e regional.

Os EUA buscam controlar o Estreito de Ormuz principalmente por sua importância estratégica como a rota mais vital do mundo para o petróleo, com cerca de 20% do consumo global passando por ali. O controle garante a estabilidade dos preços de energia, protege aliados no Oriente Médio e limita a influência do Irã sobre o fluxo comercial internacional

Preocupação da ONU

O secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou os EUA de que atacar infraestruturas civis é proibido pelo direito internacional, segundo seu porta-voz, enquanto o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaça destruir pontes e centrais elétricas iranianas.

‘Mesmo que uma infraestrutura civil específica fosse considerada um objetivo militar’, afirma o porta-voz Stephane Dujarric, um ataque ainda seria proibido se apresentasse risco de “danos civis incidentais excessivos”. (…) “O Secretário-Geral reafirma que já é hora de as partes porem fim a este conflito, pois não existe alternativa viável à resolução pacífica de disputas internacionais”, acrescentou Dujarric.
Além disso, ele explicou que um tribunal ainda precisaria decidir se tais ataques constituíam crimes de guerra.

Desde que retornou à Casa Branca, Trump tem deixado claro que não acatará qualquer decisão da entidade. que tem condenado os ataques americanos e israelenses como violações da integridade territorial e do direito internacional. A justificativa do mandatário estadunidense é de que a medida é necessária para eliminar a “ameaça nuclear iminente” (que nunca se confirmou) e incentivar uma mudança de regime após a morte do Líder Supremo Ali Khamenei.

Trump criou o próprio Conselho de Paz e utiliza o novo órgão para isolar a influência da ONU nas decisões estratégicas do Oriente Médio, como o controle do Estreito de Ormuz e a gestão das jazidas de petróleo iranianas.

Ataques dos EUA e Israel deixaram centenas de mulheres e crianças mortas no Irã (Foto: reprodução/Al Jazeera)

Números da guerra

Até o início de abril, os números oficiais e estimativas de organizações internacionais indicam que a guerra no Irã já causou entre 2.000 e 3.500 mortes em território iraniano. Metade das vítimas são civis, incluindo centenas de mulheres e crianças. Do lado israelense, o balanço aponta ao menos 26 mortes e milhares de feridos devido aos ataques de retaliação com mísseis e drones, enquanto as forças dos EUA registraram 13 militares mortos e mais de 300 feridos.

O impacto humanitário é ainda maior quando se avalia o deslocamento forçado: a ONU e agências como o ACNUR reportam que até 3,2 milhões de pessoas foram obrigadas a deixar o Irã, além de centenas de milhares de refugiados no Líbano e na região do Golfo. Relatórios de direitos humanos também alertam para uma crise aguda devido ao bloqueio de serviços básicos.