A fala recente de Flávio Bolsonaro sobre oferecer o Brasil como solução para a crise econômica dos EUA ilustrou com precisão quais são os planos do candidato da extrema direita para o país. E mais: a postura entreguista do senador deve ser interpretada como ameaça à soberania nacional. 

Quem avalia é o ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu. Para endossar seu argumento o petista citou o histórico de retrocessos ocorridos em governos anteriores e que ainda refletem no dia a dia da população. 

“O que a extrema direita propõe para o país? Nós temos um projeto. O que eles pretendem fazer? Desvincular o salário mínimo da Previdência, tirar os pisos de Saúde e Educação, privatizar a Petrobras? Olha o quanto nós estamos pagando agora por ter desmontado a estatal. Importamos óleo diesel e gasolina sem necessidade e estamos à mercê dos postos de gasolina porque a Distribuidora BR não existe mais. O que aconteceu no setor de combustíveis no Brasil foi um crime”, criticou Dirceu, durante entrevista concedida à Jovem Pan. 

O dirigente falou, ainda, sobre o cenário político atual. Sua avaliação é de que o primogênito de Jair Bolsonaro não tem conseguido ampliar a sua rede de apoio e não foi “abraçado” pelo setor financeiro e empresarial. “Eu não vejo esses setores entregando, no mundo em que nós vivemos, a Presidência da República do quinto maior país em território, oitavo em população, com a sétima maior economia do mundo, nas mãos de Flávio Bolsonaro.  Será que o empresariado quer mesmo a volta do bolsonarismo ou reconhece todo o esforço feito por Lula para recuperar o país nos últimos anos?”.

Uma das provas mais contundentes de que Lula tem governado para todos os setores da economia foi a negociação para reverter o tarifaço imposto por Donald Trump sobre as exportações brasileiras. “Nesta crise, que é uma crise de difícil negociação, Lula conseguiu reverter. O Lula foi reconhecido por ter sido o único presidente que não se dobrou às ameaças e chantagens de Trump. Pelo contrário, Lula esteve à altura dos desafios”. 

Próximos passos 

Dirceu prosseguiu ao dizer que o momento agora é de pensar na continuidade do projeto de país em curso. “O Brasil vai ter que decidir qual caminho quer seguir nos próximos quatro anos. O que nós precisamos discutir é sobre o que fazer para que o país tenha autonomia tecnológica e o que fazer para acabar com a desigualdade e a pobreza”, completou.

Outro tema indispensável, ainda segundo o petista, é sobre segurança pública. “Quem quer de fato combater o crime organizado? A família Bolsonaro já disse diversas vezes que as milícias são a solução para a segurança pública no país. A extrema direita nunca quis combater o crime”.