Quando fala em “juventude acumulada”, Benedita da Silva, 84, lembra das pessoas que lhe mostram fotografias de infância, no colo da mãe, com um adesivo de campanha: agora, elas trazem os próprios filhos para uma nova foto. É uma maneira de reconhecer, aos 84 anos, o que sua trajetória deixou nas outras gerações. “Todo esse trabalho que fizemos coletivamente não morreu.”

Nesta última semana do segundo turno, a deputada segue nas ruas do Rio pela reeleição de Lula. Recebeu mais de 3,2 milhões de votos na disputa pelo Senado, sem conquistar uma das duas vagas. “Fui muito bem votada, muito bem votada. Não tenho do que reclamar”, afirma. A disposição agora é continuar junto de quem se mobilizou e preparar o trabalho que considera necessário mesmo com uma vitória de Lula.

A militância no Chapéu Mangueira está na origem de uma trajetória que passou pela Constituinte e pelo Senado e que, em 2002, fez de Benedita a primeira mulher negra a governar um estado brasileiro. Ao falar desse percurso, ela volta às bandeiras da favela, das mulheres negras, da juventude e da cultura. Também reconhece o caminho aberto por outras mulheres: “Ainda estamos muito aquém do que deveríamos, mas há muitas mulheres que vieram de batalhas muito difíceis”.

As ruas depois do dia 25

Nos estudantes que ocupam as ruas, Benedita vê uma compreensão do que está em jogo. A mobilização pela mudança na escala 6×1 se encontrou, diz, com a defesa da educação, do meio ambiente e das políticas públicas. “Esse movimento é a voz do povo que acredita no Brasil.” O encontro com os mais velhos, que conheceram a ditadura, ajuda a explicar seu entusiasmo com essa juventude.

Há também o país dos apoios que precisam ser escondidos. Durante um almoço num restaurante que prefere não identificar, um garçom perguntou se ela tinha material de campanha no carro. “Todos nós somos Lula, mas não posso falar”, disse. Benedita conta o episódio ao tratar da violência política e das pessoas que podem voltar às urnas no segundo turno. “É uma violência generalizada no país.”

A composição do Congresso eleito aumenta sua preocupação com o que virá depois. Mesmo com Lula na Presidência, prevê dificuldades para defender direitos e estatais e insiste no trabalho de base. “Sei que vai ser muito duro para ele”, afirma. “Mas prefiro que ele passe por essa dureza a ver este país entregue.”

É nesse futuro que Benedita quer continuar presente, acompanhando as lutas dos trabalhadores e ajudando a levar projetos dos movimentos à bancada de esquerda. “A nossa intenção é manter esse movimento, ter um movimento permanente.” Para explicar de onde vem o ânimo, aproxima a política da fé e da responsabilidade com a família: “Tenho a política como uma missão”. E completa: “Enquanto você tem fôlego de vida, você vai”.

A senhora disputou o Senado em uma eleição muito dura e recebeu mais de 3,2 milhões de votos. No discurso de agradecimento na tribuna, situou esse resultado na sua trajetória política. Que balanço faz dessa eleição? O que esses votos representam em termos de confiança e de ânimo para continuar a luta, como a senhora vem demonstrando desde o primeiro turno?

Primeiro, quero agradecer pelo convite da Fundação Perseu Abramo.

Olha, foi uma trajetória que considero muito responsável e que passou de uma geração para outra. Posso dizer que fomos representantes do estado do Rio de Janeiro por 40 anos, nos meus 42 anos de vida pública. Chegou o momento de o resultado de todo esse trabalho vir à tona. Sempre tive bandeiras: a favela, a mulher negra, a juventude, a cultura e, principalmente, as mulheres.

Hoje, posso olhar e ver que não há apenas uma pessoa representando: há muito mais mulheres negras. Ainda estamos muito aquém do que deveríamos, mas há muitas mulheres que vieram de batalhas muito difíceis.

Estou aqui fazendo o segundo turno da campanha do Lula, esperando um resultado positivo, apesar da dureza dessa disputa. Não é uma coisa com começo, meio e fim. Parece que estamos debatendo com um extraterrestre, que não tem resposta para nada. É uma situação terrível. Se fôssemos elencar todas as coisas que pesam sobre o outro candidato, ele não poderia ter se inscrito para participar desse processo eleitoral. Fez deste país uma loucura.

Há um retrocesso, inclusive nas posições de pessoas que foram beneficiadas e nunca foram tratadas como curral eleitoral, mas sempre com respeito. Até pessoas beneficiadas pelo Minha Casa, Minha Vida, pelo Luz para Todos e por outros programas se contaminaram com esse veneno. Principalmente nas igrejas, onde tenho minha vida desde os 26 anos.

Não são todas as igrejas evangélicas. São diferentes denominações, mas tiveram um papel muito equivocado do ponto de vista de cuidar dos brasileiros, de cuidar da nação e de defender as famílias, como tanto dizem. Estamos nessa situação.

Em meio a tudo isso, quero dizer que fui muito bem votada, muito bem votada. Não tenho do que reclamar. Tive 3.220.000 votos. Não sei quantas pessoas foram mandadas de volta para casa sem votar, nem quantas deixaram de ter seus votos computados porque o sistema parou.

Eu vinha em primeiro lugar nas pesquisas até o dia da eleição. Ninguém imaginava que eu fosse perder. Mas esse é o processo político que estamos vivendo. A cada eleição, o Congresso vai piorando, porque os que foram eleitos formaram uma maioria, e essa maioria vai destruir o Brasil totalmente.

Por isso estamos nas ruas, fazendo campanha para que Lula vença. Sei que vai ser muito duro para ele, mas também vamos ficar na base, fazendo um trabalho de sustentação, de mobilização, indo às ruas e protestando. Vai ser dureza. Mas prefiro que ele passe por essa dureza a ver este país entregue, como já está sendo entregue por eles. Já tentaram entregar.

A extrema direita conquistou as duas vagas no Senado pelo Rio de Janeiro, assim como ocorreu em São Paulo e em outros estados. Diante desse resultado e da composição do novo Congresso, quais são os desafios para a reorganização da esquerda, especialmente no Rio? A mobilização dos estudantes nas ruas já pode ser vista como uma resposta a esse cenário?

É uma reação, e isso é bom porque mostra uma compreensão do que vem por aí. Os estudantes tiveram essa consciência de ir às ruas, de lutar pelas questões que dizem respeito aos trabalhadores e às trabalhadoras, como a escala 6×1. Fomos às ruas e demos as mãos aos estudantes.

É muito importante que eles tenham entendido que não se tratava apenas da escala 6×1, mas também da educação, do meio ambiente e das políticas públicas do presidente Lula. Eles sentiram que poderíamos ter um grande retrocesso.

Estão se mantendo mobilizados, pelo menos aqui no Rio. Não sei como está nos outros estados, porque não tem dado tempo de acompanhar. Aqui há muito movimento nos 92 municípios, com muito trabalho nas regiões. Mas esse movimento é mais do que uma resposta: é a voz do povo que acredita no Brasil e no seu estado.

Infelizmente, perdemos não só no Senado, mas também na disputa pelo governo do estado. Também estávamos sempre em primeiro lugar nas pesquisas. Houve uma manobra feia, horrível, que nem disfarçada foi e que nos tirou a possibilidade de votar no segundo turno.

Agora estamos caprichando. Precisamos de muita fiscalização e de cobrar respostas do Tribunal Superior Eleitoral. Mais de 4 mil seções mudaram de local neste segundo turno, e isso sacrifica muito as pessoas que estão acostumadas a votar no mesmo lugar.

Por exemplo: se eu chegar à seção em que sempre voto e me disserem que o aviso da mudança estava no Instagram, vou responder: “Olha, eu nem abro o Instagram, porque é tanta coisa…” Como as pessoas vão saber? E quem não sabe mexer? E quem não tem como acessar?

Isso deveria ser divulgado em um jornal de grande circulação, avisando com antecedência para onde essas seções foram transferidas. É tudo isso que estamos vivendo agora. Tudo político.

Por isso, seguimos nas ruas, junto com os estudantes e os movimentos sociais. É bom que se diga: não foi nada combinado, começou tudo espontaneamente. Isso é importante. Não foi uma coisa de “organiza aqui e vamos fazer isso”. Naquele momento, foi um “vamos fazer alguma coisa”, e foram às ruas.

É um movimento muito bonito, muito bonito. Espero que não só eles, mas todos nós tenhamos essa vitória, porque a merecemos. Com o outro governo, o povo brasileiro vai sofrer muitíssimo, inclusive aqueles que não votaram no presidente Lula.

Pelo que estamos vendo, não é contra Lula. É contra o Brasil.

Durante a campanha, a senhora enfrentou ataques relacionados à idade, ao gênero e à raça, e respondeu dizendo ter “84 anos acumulando juventude”. Agora, continua nas ruas, demonstrando essa disposição. De onde vêm tanto ânimo e tanta energia para seguir na luta?

Olha, eu me considero uma mulher muito vitoriosa, do ponto de vista pessoal e espiritual. Deus me ama de tal maneira que, às vezes, acontece alguma coisa comigo e eu me pergunto: “Mas como isso poderia acontecer?”

Sempre faço uma retrospectiva: de onde vim, como as coisas estão. Tenho a política como uma missão, com a mesma responsabilidade que tenho com a minha fé e com a minha família. É isso que me move. Imagine, eu com 84 anos!

Passei por várias gerações, no mínimo quatro. Deixamos legados, raízes que encontro até hoje: “Olha a minha mãe, está aqui a foto, eu no colo dela com o seu adesivo, Benedita. Estou trazendo meu filho aqui para você tirar uma foto com ele”. Olha que coisa maravilhosa.

Todo esse trabalho que fizemos coletivamente não morreu. Os idosos não estão indo votar só para provar que estão vivos. Estão indo porque sabem o que é uma ditadura. E o bonito de tudo isso é que os jovens não passaram por aquele momento, mas agora estão vivendo outro tipo de ditadura.

O Estado começa a se manifestar contra o povo. O outro diz que não vai ter políticas de cotas. Fala em pagar alguma coisa na escola pública, uma coisa assim, tirada de não sei onde. Diz que os Estados Unidos podem comprar terras raras no Brasil e que, se ele ganhar, quem vem fazer a transição são os Estados Unidos. Não são brasileiros que vão fazer. Uma entrega, uma coisa incrível.

Estou muito contente e feliz com a nossa juventude de hoje, porque ela também vai enfrentar jovens preparados da direita fascista, como os que nós enfrentamos. Essa legislatura não vai ser brincadeira, não vai ser brincadeira. Eles têm uma escola do mal. Aplicam, executam sem dó, sem piedade.

E as mentiras? Não sei como conseguem mentir sem piscar o olho. É impressionante como mentem. Estamos nas ruas e vamos continuar. Não tem isso de idade. Vi gente de 95 anos votando em mim e no Lula, dizendo: “Eu não precisava votar, mas vim votar. Eu vim votar por você e pelo Lula”. E vi também o primeiro voto de muitos.

Esse encontro de gerações foi importante e continua sendo. Aqui no Rio de Janeiro, o movimento continua: os movimentos sociais, os idosos e a juventude estão juntos nas ruas.

Quando digo que acumulei juventude, é um pouco isso. Vi a marcha dos 100 mil, com Vladimir Palmeira. Vi os caras-pintadas com Lindbergh Farias, na época de Collor. Vi tantas coisas, muita pancadaria. Vi a ditadura. Fui acumulando juventude e cheguei até aqui, acredito, com alguma coisa na cabeça que não me deixa me acomodar. Jamais.

Então, estou jovem.

Entramos na última semana de uma disputa entre projetos muito diferentes para o país. O que a senhora diria às pessoas que estão nas ruas, se engajando e pedindo votos para Lula? Como manter o ânimo e a mobilização até o fim, sem deixar que a confiança na vitória se transforme no sentimento de que a eleição já está ganha, como ocorreu no primeiro turno?

Penso que os cuidados estão sendo tomados. No primeiro turno, faltaram fiscalização e uma mobilização mais concentrada, inclusive por conta das alianças feitas pela candidatura do Lula. Nem todos entregaram, nem todos corresponderam. Essa é a verdade. Acho que se contou um pouco com essas alianças. Veja que pessoas brilhantes, como a Marina, também não foram eleitas. Ela estava sempre ali na frente, junto com a Tebet.

Estamos vivendo uma disputa que não é normal, por causa das fake news e da compra de votos. O pior é que parece que estamos indefesos, porque o Tribunal Superior Eleitoral parece ter tapado os ouvidos para o que dizemos que está acontecendo.

Pelo menos no Rio de Janeiro, não havia o policiamento que sempre existe nas seções. Os policiais saíram das ruas e ficou tudo a Deus dará. Encontravam-se pilhas de cédulas, por exemplo, e gente com bolsas de dinheiro. É impossível não tomar uma atitude diante disso. Eu dizia às pessoas: “Fotografem, gente, fotografem”.

As pessoas estavam tão temerosas que muita coisa não foi fotografada. Isso era muito importante para nós, mas algumas coisas foram registradas. Essa eleição não é como as demais. O outro candidato recebeu recursos e instruções dos Estados Unidos. Montou a campanha com Trump, e seus auxiliares vieram para cá.

Ele tem uma postura nazista. Eu falo mesmo: uma postura nazista. Demonstrou isso no debate com o Lula. Aquilo não foi um debate, foi um desastre, porque ele não teve respeito. É um irresponsável, um garoto mimado, que não tem conhecimento da vida.

Ele não conhece o Brasil. Como quer governar o país se não tem resposta para o que se pergunta? Você pergunta o que vai fazer na área da saúde, e ele não diz. Entra com uma acusação e deixa de dizer o necessário.

Mas estamos de olhos abertos para tudo isso. Já fizemos a reunião da coordenação, que montamos de forma bem ampla, e organizamos a agenda desta semana.

Lula virá ao Rio de Janeiro, e estamos nos preparando para recebê-lo e para a fiscalização. Mas fiscalização mesmo. Isso é muito importante. Também estamos de olho nas mudanças das seções, usando tudo o que podemos para que as pessoas tomem conhecimento a tempo.

Estamos pedindo também a participação de cada um na sua região. Cada pessoa vai receber as informações sobre quais seções mudaram e para onde foram, para poder motivar as pessoas a votar com segurança.

Em mais de 40 anos de vida pública, a senhora acompanhou muitas eleições. Nesta, os desafios envolvem a atuação do TSE, mudanças nas seções eleitorais, a Meta e Donald Trump. Como enfrentar tantas questões nos poucos dias que restam? Como conciliar a mobilização com a cobrança de respeito à democracia e às regras eleitorais?

Posso lhe dizer que a população consciente, seja jovem ou idosa, está vendo o risco que o país está correndo. Esses “verdadeiros patriotas” se cobriram com a bandeira, mas, na hora de desfilar, colocaram a dos Estados Unidos. Que afronta! Na última manifestação, colocaram um foguete com uma mensagem em inglês mandando Trump invadir o Brasil. Imagine!

O desafio é muito, muito grande. Sou religiosa, sou evangélica, e digo: “Deus fez o mundo em sete dias”. Jesus fez muitos milagres, disse que não ficaríamos órfãos e, além disso, disse: “Vocês vão fazer mais do que eu fiz”. E nós, como não fizemos nada, estamos apelando a ele agora para que nos dê discernimento para irmos à batalha.

Há uma coisa muito perversa acontecendo, que envolve segmentos populares e igrejas tradicionais. São igrejas muito importantes, onde está o povão. Passa de uma geração para outra a ideia de que só os grandes podem estar na política. Nós queremos que essa juventude entre na política para fazer uma política com transparência, uma política feliz.

Nesses sete dias, fazemos um apelo a todos: intelectuais, não intelectuais, comunidades, em todo lugar. Enfrentamos a Meta, Trump, o crime organizado e as milícias. Tudo isso na disputa eleitoral, com muitos se candidatando e sendo vitoriosos. Não é fácil.

O que posso dizer é: venham, venham. Usem todo o conhecimento que tiverem, onde estiverem. Digo sempre que não se deve tirar ninguém do seu território, porque não vai render. É cada um no seu.

Se você entende desse mundo digital, vá enfrentar esse mundo digital. Tem que ter essa campanha digital. Se está na comunidade, entende e dialoga, vá para a comunidade.

Podemos ampliar o envolvimento daqueles que não foram votar. Muitos aqui foram mandados para casa porque se demorava duas, três horas para votar, já de propósito. As pessoas se cansavam. Era uma eleição com muitos idosos votando e uma lista enorme: presidente, deputado estadual, deputado federal, dois senadores. Era muita coisa para votar.

Agora, não. São só dois candidatos: ou se vota em um, ou no outro. Vão votar no 13, é claro. Acreditamos que não vai ter aquela situação.

Por mais que queiram segurar as pessoas na fila, estaremos ali na fiscalização, dando instruções. Estamos chamando quem não votou no primeiro turno para vir votar com a gente. Vocês estão vendo a necessidade. Precisamos ganhar esta eleição, e só vamos ganhar se você vier. Porque essas pessoas não se vendem.

As mulheres que há anos dizem “Ele não” continuam mobilizadas. Como a senhora avalia essa participação e a renovação da representação feminina na política, apesar da composição do novo Congresso? A luta contra o feminicídio e a violência política de gênero também chega às ruas, com relatos de agressões a militantes em São Paulo. Como vê os riscos que as mulheres enfrentam nesta reta final?

Sim, tratamos muito da violência política, principalmente da violência que as mulheres sofrem. Já tínhamos previsto que essa campanha seria muito dura, então cada setor se organizou à sua maneira.

Fui almoçar num restaurante, não posso revelar onde, e o garçom, enquanto servia, disse: “Quero falar com a senhora”. Perguntei: “O que você deseja?” Ele respondeu: “A senhora tem material aí no carro? Aqui só tem dois bolsonaristas. Todos nós somos Lula, mas não posso falar”.

Há muita gente assim, que não foi votar, mas vai querer ir votar. E as mulheres, assim como a juventude, estão muito conscientes do que seria essa legislatura sem o Lula, do retrocesso diante dos avanços que tivemos até agora, por conta da maioria que se tem. Só o governo federal pode dialogar com o Congresso Nacional.

A primeira coisa que o Congresso quer, na verdade, é acabar com o Supremo. Querem mudar o Supremo para que fique do jeito deles, só com gente que eles indicam. Estão doidos, porque são quatro indicações nesta legislatura. Vão colocar a maioria lá para poder fazer impeachment à vontade.

É uma coisa tremenda, que nós, mulheres, estamos discutindo entre nós, porque não é só uma violência contra nós. É uma violência generalizada no país.

A enfermagem está se organizando. Os servidores e as servidoras públicas estão se organizando, e a mulherada tem participado. Posso garantir isso aqui no estado do Rio de Janeiro: as feministas estão indo, as mulheres estão se mobilizando por categoria.

São mulheres da enfermagem, do direito, médicas, professoras. Firmes e fortes.

Vivemos uma disputa difícil para garantir o futuro do país, com os limites já impostos pela composição do Congresso eleito. Que perspectivas de esperança a senhora enxerga para os próximos quatro anos? Mesmo com uma vitória de Lula, como manter a mobilização nas ruas, fortalecer o trabalho de base e dar continuidade à resistência? O que será necessário para reverter o cenário político que nos trouxe até aqui?

A nossa intenção é manter esse movimento, ter um movimento permanente. Sempre disse que é necessário ter um movimento para eleger e outro para sustentar quem foi eleito. Temos um Congresso com uma maioria que pode fazer um impeachment por qualquer coisinha: “É inimigo, não é igual a mim, não lê na minha cartilha, vou mandar embora”.

Precisamos dar atenção a essas sinalizações da sociedade, porque o avanço da direita foi muito grande no Brasil. Não podemos deixar de estar junto desses movimentos, fortalecendo-os, para que deles surjam futuros legisladores, presidentes, o que quiserem ser. Esse é o objetivo, e estamos caminhando nessa direção com o mundo digital, que essa garotada está dominando.

É o momento da juventude nesse enfrentamento. Não devemos abandonar esses jovens. Precisamos estar ao lado deles, fortalecendo esse movimento e criando um parlamento paralelo. Digo um parlamento paralelo no sentido de acompanhar as lutas dos trabalhadores e das estatais. Eles querem acabar com todas elas, a começar pela Petrobras e pelos Correios.

É importante que o diálogo entre nós permaneça. Esse é o futuro em que espero estar muito presente. Como disse, tenho a política como uma missão. E missão é assim: enquanto você tem fôlego de vida, vai seguindo naturalmente.

Com a minha juventude acumulada, quero receber a energia de todo esse movimento da juventude e das categorias e ajudar muito a fortalecer a bancada de esquerda. Trazer projetos oriundos desses movimentos, para que a bancada tenha um respaldo maior e melhor e para que possamos ir às ruas lutar por esses projetos.

É isso que penso.

Para encerrar, espaço aberto para a senhora deixar uma mensagem final

Minha mensagem final é de muita esperança, mesmo sabendo que é duríssimo o que vamos enfrentar e o que já estamos enfrentando nesta semana.

Temos muita fé de que o povo brasileiro vai corresponder a esse chamado do Lula. Não precisa ser pelo Lula, pelo PT nem por nenhum partido. Que cada um vote por si, pela sua família.

Espero que, no dia 25, todos vão votar em família, que as famílias vão em grupos à votação. Isso aconteceu no primeiro turno. Espero que se repita no segundo turno e que Lula seja o tetra.