O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), tem sofrido desgaste com a instalação em massa dos chamados pedágios “free flow”, que fazem cobrança automática dos veículos.

De acordo com levantamento da Escola de Comunicação, Mídia e Informação da FGV, que analisou cerca de 300 mil menções ao tema entre janeiro de 2025 e fevereiro de 2026 em plataformas como X, Instagram, YouTube, Facebook, Bluesky e fóruns online, Tarcísio aparece em aproximadamente 22% das publicações sobre pedágios, sendo o político mais associado ao tema — associação marcada por forte caráter negativo.

Os conteúdos com maior engajamento, incluindo os 25 posts mais relevantes, são majoritariamente críticos ao modelo de pedágio e citam diretamente o governador paulista.

Outro tema que rende desgaste ao governador é o escândalo do Banco Master, liquidado em 2025 pelo Banco Central após a constatação de uma fraude bilionária protagonizada pelo dono, Daniel Vorcaro, preso por gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e venda de carteiras de crédito fictícias, após investigação da Polícia Federal.

Na campanha eleitoral, Tarcísio recebeu R$ 2 milhões do pastor e empresário Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Zettel é operador financeiro ligado a fundos e empresas do conglomerado Master, como a Moriah Asset e a Super Empreendimentos, configurando um vínculo direto entre o governador e a cúpula do banco investigado.

Além disso, no segundo ano de governo, Tarcísio promoveu a privatização da Emae (Empresa Metropolitana de Águas e Energia), vendida ao Fundo Phoenix FIP por R$ 1,04 bilhão. Após a privatização, a estatal aplicou R$ 160 milhões em CDBs do Letsbank, banco ligado ao conglomerado do Banco Master, representando 5,88% do ativo consolidado da Emae, o que liga os recursos obtidos com a privatização ao banco do cunhado de um grande doador da campanha, o que compromete o governo.

A prisão de Daniel Vorcaro e ex-CEOs do banco, na Operação Compliance Zero, revelou movimentações suspeitas que podem chegar a R$ 12,5 bilhões envolvendo fundos, CDBs e outros produtos financeiros do conglomerado.

Tarcísio: Segurança pública e obras ampliam desgaste

Na área da segurança, o estado de São Paulo registrou 55 feminicídios nos dois primeiros meses do ano, conforme dados da Secretaria da Segurança Pública (SSP-SP). A quantidade corresponde a um caso a cada 25 horas — praticamente um por dia —, o que demonstra crescimento relevante e pressão sobre a política de segurança pública do estado.

O governo do estado entregou, com 12 anos de atraso, a Linha 17-Ouro do monotrilho, que liga a região do Morumbi ao Aeroporto de Congonhas, na zona sul da capital. A linha começou em operação assistida, com horário reduzido. A obra chegou a figurar entre as mais paradas do estado, ao lado do Rodoanel.

Em março, o governador vetou integralmente o Projeto de Lei 818/2023, aprovado pela Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, que ampliava a responsabilização de agressores de animais. A proposta previa que infratores pagassem todos os custos veterinários, além de multas e participação obrigatória em programas educativos. O veto foi justificado com base na existência de leis já vigentes, mas o projeto buscava avançar na responsabilização financeira e na prevenção da violência contra animais.