"Coronavírus e salas de aula: convivência impossível" foi o tema do debate no Observatório da Coronacrise na última sexta-feira (21), com participação dos parlamentares petistas Professora Bebel, Zeca Dirceu e Alexandre Padilha. O programa foi mediado pela vice-presidenta da Fundação Perseu Abramo, Vivian Farias. Durante o debate, foram apontados os fatores que tornam o plano de retomar aulas presenciais uma temeridade em todos os estados do Brasil, já que não há sinais de arrefecimento dos contágios por coronavírus.
A deputada estadual Professora Bebel (PT-SP) iniciou o debate dizendo que há nacionalmente uma preocupação do governo em dar um ar de normalidade quando se sabe perfeitamente que nada está normal, pois o Brasil já superou 108 mil mortos e 3,5 milhões de infectados. Portanto, a escola não pode funcionar normalmente. Para ela, não há porque voltar às aulas em 2020. “Trata-se de um local de aglomeração, os professores têm dificuldade em garantir que as crianças não se abracem, usem máscaras e, principalmente, a estrutura física das escolas não dá condições de funcionamento, pois elas não são arejadas e não têm iluminação adequada, dois itens essenciais do protocolo”, disse.
Vivian Farias observou que não se trata somente da saúde dos alunos e dos professores, pois toda a cadeia está envolvida. “Um aluno infectado pode contaminar 25 pessoas que não estão no eixo da vida escolar”, afirmou.
O deputado federal Zeca Dirceu (PT-PR) manifestou a preocupação da Bancada do PT com a volta atabalhoada e mal planejada às salas de aula, que é compartilhada por toda a população, por pais e professores, como se pode constatar em recentes pesquisas de opinião. “É quase uma unanimidade, as pesquisas dão quase 80% das pessoas contra a volta às aulas. Além disso, já vemos efeitos negativos em estados e municípios que voltaram de maneira desorganizada e sem ouvir os profissionais e organizações da saúde”, alertou.
O ex-ministro da Saúde e deputado federal Alexandre Padilha (PT-SP) afirmou que todos os países que fizeram a volta às aulas de maneira responsável avaliaram três questões fundamentais. A primeira é que não se pode pensar em reabertura em regiões que não tenham pelo menos catorze dias de redução sustentada dos casos e suspeitas de contaminação, o que infelizmente não é a situação do Brasil e de nenhuma região do estado de São Paulo.
A segunda questão destacada é que todas as regiões fizeram previamente grandes investimentos na infraestrutura da rede para garantir o distanciamento físico e a higienização antes de reabrir, condições inexistentes nas redes estadual e municipal de São Paulo, por exemplo, com escolas que não têm lugar para lavar as mãos, sem janelas e com janelas emperradas, de acordo com levantamento feito pela Apeoesp. “Nas escolas em São Paulo, durante a pandemia, além de não ter havido nenhum investimento nas escolas foram cortados vários contratos de manutenção pelo governo tucano”, afirmou. “A recomendação da Organização Mundial de Saúde, do Unicef e da Unesco para um planejamento de volta às aulas é que seja feito um diagnóstico escola por escola, com participação dos trabalhadores, dos pais e dos alunos, envolvendo toda a comunidade”, concluiu.
O terceiro ponto destacado por Padilha é que sejam revistos todos os procedimentos e a rotina da escola para reduzir o contato entre os trabalhadores e os estudantes. “Seria necessário um número muito maior de professores e técnicos para dividir as salas. Em São Paulo, a média é de 45 a 50 alunos por sala. A Espanha, que tem população muito menor que a do Brasil, fez um planejamento de contratar cem mil trabalhadores para fazer a reabertura das escolas”.
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