O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, anunciou nesta segunda-feira (22) que deixará a liderança do Partido Trabalhista, abrindo uma nova disputa pelo comando da legenda e do governo britânico. Em pronunciamento na residência oficial de Downing Street, Starmer afirmou que permanecerá como primeiro-ministro interino até a conclusão do processo sucessório, previsto para setembro.

“Todas as decisões que tomei tiveram como objetivo colocar em primeiro lugar o país que amo. É por isso que renunciarei à liderança do Partido Trabalhista”, declarou, em discurso marcado pela emoção.

A decisão ocorre após meses de pressão interna e de resultados eleitorais desfavoráveis aos trabalhistas, especialmente nas eleições locais, nas quais o partido Reform UK, liderado por Nigel Farage, registrou avanços.

Andy Burnham surge como favorito

O principal nome para suceder Starmer é Andy Burnham, ex-prefeito da Grande Manchester, que retornou ao Parlamento após vencer uma eleição suplementar e assumir uma cadeira na Câmara dos Comuns. Com a volta a Westminster, Burnham tornou-se elegível para disputar a liderança do Partido Trabalhista.

Em publicação nas redes sociais, o político defendeu uma transição “ordenada e responsável” e confirmou que apresentará sua candidatura ao comando da legenda.

A saída de Starmer também reacendeu o debate sobre a estabilidade política britânica. O site Euronews destaca que caso o sucessor seja confirmado em setembro, o Reino Unido terá seu sétimo primeiro-ministro em apenas dez anos, sucedendo a David Cameron, Theresa May, Boris Johnson, Liz Truss, Rishi Sunak e ao próprio Starmer.

Pressão da direita

A oposição aproveitou o anúncio para intensificar os ataques ao governo. Nigel Farage defendeu a convocação imediata de eleições gerais, argumentando que os trabalhistas não têm legitimidade para substituir o premiê sem consultar os eleitores.

“Se o Partido Trabalhista acha que pode simplesmente colocar outro político profissional em Downing Street, está enganado”, afirmou o líder do Reform UK.

Mandato marcado por controvérsias

Embora tenha obtido avanços na reaproximação entre Londres e a União Europeia, o governo Starmer enfrentou sucessivas crises políticas. Entre os episódios mais criticados estiveram denúncias envolvendo presentes não declarados recebidos pelo premiê, mudanças de posição em temas como a reforma do sistema de bem-estar social e a identidade digital, além da nomeação e do posterior afastamento de Peter Mandelson como embaixador nos Estados Unidos.

Nos últimos meses, a saída de ministros importantes e a crescente insatisfação no Partido Trabalhista enfraqueceram ainda mais a liderança do partido.

Apesar da renúncia, Starmer recebeu manifestações de apoio de aliados internacionais. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, destacou seu papel no fortalecimento da cooperação europeia e do apoio à Ucrânia.

“Pode levar anos para muitos líderes se tornarem estadistas. Você alcançou isso em apenas dois anos. A segurança europeia e ucraniana é mais forte por sua causa”, escreveu a dirigente europeia.