O ex-ministro da Casa Civil e um dos principais articuladores políticos do PT, José Dirceu, mais uma vez defendeu o legado deixado por Lula durante o seu terceiro mandato e reiterou que o adversário do petista na corrida presidencial não está à altura do cargo.
“O PT tem o que apresentar. Deu estabilidade institucional ao país. Deu inflação baixa, crescimento, manteve o Brasil fora de conflitos internacionais (…) Já Flávio Bolsonaro é um indicado e preposto direto do pai, (o ex-presidente Jair Bolsonaro). A candidatura dele só existe porque o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, não entrou na disputa”, afirmou durante entrevista à jornalista Monica Bergamo, da Folha de S. Paulo, no domingo (5).
Ainda em relação às Eleições de outubro, Dirceu avalia que a coalizão governista possui vantagem por já ter um presidente, uma base partidária e um vice definidos. Além disso, a atual gestão construiu legados importantes com pautas de amplo respaldo popular, como a reforma tributária, a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e a taxação de grandes fortunas.
Pautas prioritárias
O dirigente petista, que pretende se candidatar a deputado federal, acredita que houve uma tentativa de mudar a agenda nacional para o tema da corrupção, reeditando eleições anteriores. Desta vez, o escândalo que deve entrar no debate é o caso do Banco Master e a tentativa da extrema direita de se livrar do elo com o banqueiro Daniel Vorcaro, preso por fraudes bilionárias.
“Acredito que a campanha eleitoral deva focar em problemas que estão afetando diretamente a vida da população como os impactos da guerra no preço dos combustíveis, a desestruturação da Petrobras, a segurança pública, a educação e a revolução tecnológica como prioridades.
Ainda que defenda o debate sobre temas estruturais, Dirceu vê na possível delação de Vorcaro uma grande possibilidade para levar o país a reformas profundas. “A delação vai nos levar a um ‘freio de arrumação geral’ no Brasil”, disse, sugerindo que o país precisa de mudanças urgentes.
STF
Dentre as reformas consideradas necessárias, Dirceu inclui o Supremo Tribunal Federal (STF) como um dos pontos principais para a mudança. “Quando uma pesquisa mostra que 70% das pessoas querem que o Supremo mude, a corte tem que fazer uma autorreflexão. Desconhecer a opinião pública é um erro”, disse Dirceu.
Dirceu completou ao dizer que “o Supremo não precisa ter medo de debater com o país”. Segundo ele, se não houver uma reformulação interna, uma maioria no Congresso pode acabar impondo mudanças à corte, o que, para Dirceu, seria um cenário pior.
