Com o tema “Vida em Primeiro Lugar!”, o 32º Grito dos Excluídos e Excluídas ocorre entre os dias 1º e 12 de setembro em todo o Brasil, com concentração de atividades no dia 7 de setembro, data da Independência. O mapa das mobilizações já está disponível e reúne ações em todas as regiões do país.

Maria Fernanda Marcelino, da Marcha Mundial das Mulheres, uma das entidades organizadoras do Grito, falou com a revista Focus e explicou o histórico de lutas e porquê as mulheres devem se envolver com as pautas deste ano.

“O 7 de Setembro, na verdade, é uma uma agenda que iniciou com a ala progressista da Igreja Católica para dizer o quanto que a população pobre é excluída, excluída do bem viver, excluída de ter direitos da forma mais ampla possível. Quando a gente olha para a realidade do Brasil, apesar de muitos avanços que tivemos, a gente ainda vê uma desigualdade brutal entre entre a população mais pobre”, explicou Maria Fernanda.

Para a dirigente feminista, “essa desigualdade está entre as mulheres e as mulheres negras. Então somos nós ainda que arcamos com o trabalho de cuidados. Esse é um tema muito central para o movimento feminista, para o movimento de mulheres, movimento de moradia que luta para que as mulheres tenham moradia e para as mulheres sem terra. Então, apesar de ter sido uma iniciativa da igreja, teve um apelo gigantesco”.

O Grito das Excluídas tem a ver com isso: “nós não precisamos mais de palavras. Precisamos de ações do poder público que interfiram de fato na qualidade, nas condições de vida das mulheres: direito ao trabalho remunerado com direitos; equipamentos públicos que atendam de fato as mulheres; a ampliação do atendimento na saúde”.

Com o tema permanente “Vida em Primeiro Lugar!”, em 2026 o lema é “Na defesa da Terra, da Paz e da Moradia, erguemos a voz: Mulheres Vivas e Soberania! As pautas unificadas incluem o fim da escala 6×1, moradia digna, reforma agrária, educação pública de qualidade, defesa do SUS, enfrentamento ao feminicídio e a todas as formas de violência contra mulheres, além do combate ao racismo e à LGBTfobia.

Informe-se sobre os horários e locais das manifestações em sua cidade no site do Grito dos Excluídos e Excluídas https://www.gritodosexcluidos.com/

Histórico

Desde 1995, o Grito dos Excluídos e Excluídas acontece no dia 7 de setembro, dia oficial da comemoração da independência do Brasil. Nada melhor do que esta data para refletir sobre a soberania nacional. Nesta perspectiva, o Grito se propõe a superar um patriotismo passivo em vista de uma cidadania ativa e de participação, colaborando na construção de uma nova sociedade, justa, solidária, plural e fraterna. Nestes 29 anos de trajetória, o Grito faz um contraponto à história oficial da independência do Brasil. Na contramão dos desfiles cívicos e militares, que sempre marcaram o 7 de Setembro, conclama o povo, sobretudo os pobres e excluídos, a descerem das arquibancadas, deixar o patriotismo passivo, e ocupar praças e ruas na defesa de seus direitos.