Lula na TV e o cacarejar da extrema direita, por Alberto Cantalice
Presidente rebateu desinformação em rede nacional e expõe desafios da democracia diante do avanço da extrema direita
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Fez muito bem o presidente da República em convocar, nesta segunda-feira (24/2), a cadeia nacional de rádio e televisão. Em um cenário dominado pelas big techs – quase todas, a exemplo da plataforma X do bilionário norte-americano Elon Musk, a serviço do fortalecimento da extrema direita mundial –, ter um contraponto é uma exigência democrática.
Na história recente, a proliferação das fake news e a instrumentalização da narrativa contra as urnas eletrônicas levaram os saudosos do fatídico golpe militar de 1964 às portas dos quartéis. Isso tudo depois de um pleito legítimo, no qual centenas de parlamentares do extremismo direitista foram eleitos pelas mesmas urnas. Recentemente, vimos o caso do Pix, uma ação para combater a lavagem de capitais e o dinheiro do crime organizado, ser deturpada por um deputado federal do PL de Minas Gerais. A dimensão que a mentira ganhou leva à conclusão de que o vídeo feito por ele foi impulsionado pelos algoritmos das plataformas.
O desafio da comunicação na era da desinformação
O crescimento das práticas fascistas e nazistas nos Estados Unidos e na Europa (vide a eleição na Alemanha) é embalado pelo mesmo mecanismo. A xenofobia contra imigrantes, o racismo contra negros e a misoginia contra a ascensão do movimento feminista são subprodutos da desregulamentação das plataformas. Essa ausência de regras e o permanente ataque a toda forma de legislação proposta estão na gênese dos ataques sofridos pelo Poder Judiciário aqui e em outros países.
A crise moral e de projeto que afeta o capitalismo no mundo, em que a plataformização deriva da financeirização e age em detrimento da produção de bens e serviços, necessita de objetos que mudem o foco da população. É daí que surgem também a teologia da prosperidade do fundamentalismo religioso, a meritocracia, o consumismo desenfreado, o individualismo exacerbado e o hedonismo despolitizado.
Fazer frente a esse estado de coisas é o maior desafio para as forças de esquerda e progressistas no mundo hoje. Comunicar corretamente e desmistificar o discurso mentiroso fortalecerá o ambiente da democracia. Democracia que é fundamental para os movimentos reivindicatórios.
Há um caminho aberto para a contraposição contra o reacionarismo vil e mentiroso. Vamos à luta!