Quaest aponta desafios e perspectivas para o Governo Lula em 2026
FOTO: Ricardo Stuckert/PR

A recente pesquisa da Quaest, divulgada entre o final de janeiro e o início de fevereiro de 2025, aponta uma tendência de desgaste na aprovação do governo federal, com uma queda de 5 pontos percentuais (de 52% para 47%) desde dezembro de 2024 – enquanto a reprovação subiu para 49%. Apesar disso, o presidente Lula mantém a liderança nas projeções para 2026, com intenção de voto entre 28% e 33% nos cenários testados, sinalizando que sua base eleitoral ainda é relevante, embora demande estratégias para reconquistar apoios.

Os dados revelam que a queda na aprovação ocorreu até em grupos tradicionalmente alinhados ao governo, como residentes do Nordeste (-13 p.p. desde agosto de 2023), mulheres, população com renda de até 2 salários mínimos(-12 p.p.) e católicos. Em outros segmentos, como região Sul (-7 p.p.), faixa etária de 35 a 59 anos (-6 p.p.) e idosos (-5 p.p.), o movimento negativo também se destacou. Já entre os eleitores de Bolsonaro em 2022, a reprovação aumentou (+8 p.p.), enquanto os eleitores de Lula mantiveram estabilidade.

O principal fator de desgaste é a percepção de alta no custo de vida: 50% avaliam que o país está no caminho errado, e 83% notam aumento nos preços dos alimentos, 65% nas contas de luz e 57% nos combustíveis. Apesar disso, a avaliação sobre a economia não piorou drasticamente (39% veem piora; 32%, estagnação).

Embora a reprovação tenha superado a aprovação em janeiro, Lula segue como principal nome na corrida de 2026. O momento exige atenção a questões urgentes: inflação, custo de vida e sensação de insegurança. A retomada do apoio popular depende de respostas efetivas a essas demandas, além do fortalecimento dos laços com bases históricas, como o Nordeste e as classes de menor renda, onde a aprovação, mesmo em queda, ainda supera a média nacional.

Em síntese, o governo enfrenta ventos desfavoráveis, mas possui instrumentos para reverter o cenário. A janela de tempo até 2026 permite corrigir rumos, desde que haja foco em medidas que impactem diretamente o cotidiano dos brasileiros. A pesquisa não é um alerta vermelho, mas um convite à ação.