Nos dias 20 e 21 de março, a Fundação Perseu Abramo realizou um seminário interno com a temática “Organização e Estatutos” com o objetivo de ouvir a militância e os dirigentes do Partido dos Trabalhadores sobre suas contribuições em relação a novas propostas de estruturação partidária. 

O evento ocorreu na sede da fundação em São Paulo e teve a participação online dos filiados em diferentes estados, além de representantes de núcleos do PT no exterior. Segundo o diretor da FPA, Valter Pomar, foram recebidas mais de 80 propostas, que ainda serão sistematizadas e colocadas em discussão no âmbito do 8º Congresso Nacional do PT.

Em Brasília, entre 23 e 26 de abril, o Partido dos Trabalhadores vai realizar a oitava edição do encontro, que traz como tema “Soberania, Reconstrução e Futuro” e terá o desafio de, não só pensar os caminhos da organização e da luta no próximo período, mas também analisar a complexa conjuntura política atual com o avanço e consolidação da extrema direita no cenário mundial.

Foram elencados cinco temas prioritários para os debates por meio de votação entre os presentes na reunião: filiação, PED, núcleos, classe trabalhadora e violência de gênero. 

crédito: Márcio Dmark / FPA

Na tarde de sexta-feira (20), o coordenador-geral do Congresso e secretário nacional de Comunicação do PT, Jilmar Tatto, e o secretário nacional de Organização, Laércio Ribeiro, dialogaram com os participantes sobre os mecanismos de democracia interna do partido e o que está em jogo na reeleição do presidente Lula.

Para Tatto, apostar na unidade política no interior do partido é um caminho importante. O deputado federal destacou a estruturação do modo petista de governar e apontou a necessidade de colocar no programa eleitoral pautas como a reforma política, o debate sobre o papel das forças armadas e da pasta de Segurança Pública. “Sabemos que a atual conjuntura exige um novo formato de funcionamento, uma evolução do que temos hoje”, afirma.

Laércio Ribeiro destacou a desarticulação nas últimas décadas das portas de entrada tradicionais do partido como o movimento operário e a igreja progressista.  

“Perdemos as portas de acesso tradicionais, precisamos avançar do ponto de vista institucional, então vemos que a nossa responsabilidade só aumenta. Precisamos avançar no diálogo com nossos mais de três milhões de filiados e cerca de 80 mil dirigentes”, comenta o secretário nacional de Organização do PT. 

Na segunda mesa do primeiro dia, participaram as petistas Maria Carlotto e Izabel Costa. Professoras e dirigentes do movimento sindical, as militantes debateram os avanços do trumpismo, suas consequências no bolsonarismo e as mudanças na classe trabalhadora, além de um detalhamento da base cadastral dos filiados do PT. 

Edinho Silva

O presidente nacional do PT, Edinho Silva, esteve presente no sábado (21) e defendeu a realização do Congresso como uma ferramenta relevante de discussão e avanço. 

“O Congresso é um momento de reflexão para unificar o partido sobre a atual situação política que está colocada, é uma instância importante, não podemos interditar o debate. Caso não tenhamos acúmulo suficiente para todos os temas até abril, voltaremos a falar sobre eles em outros espaços. Temos que ter coragem de enfrentar nossos problemas e continuar como um partido com capacidade de dialogar com a classe trabalhadora”, afirmou Edinho Silva.

“Nós somos o principal instrumento que a classe trabalhadora tem, somos uma barreira de contenção do fascismo, temos então que aprimorar e atualizar a estratégia. Sabemos que nossa militância quer sinais de mudança”, diz o presidente do partido.

Para o líder petista, a exemplo da organização das igrejas evangélicas nos territórios, a “metodologia da presença” é um mecanismo que precisa estar no radar do PT no próximo período. “Trabalho orgânico, de educação popular, de conscientização de classe só se faz com presença, não há outro caminho”, aponta.

“Estamos na eleição mais importante das nossas vidas do ponto de vista da conjuntura internacional, da polarização, do posicionamento antissistema, temos que apresentar nossas entregas para a sociedade, destacar os feitos do governo mais exitoso que tivemos”, opina Edinho Silva.