Em agosto de 2018, às vésperas das eleições que levaram Jair Bolsonaro à Presidência e com Lula ainda preso por processos que mais tarde seriam anulados pela Justiça, um encontro aparentemente corriqueiro daria indícios do tipo de articulação internacional que passaria a marcar a campanha.

Naquele mês, o assessor político Steve Bannon, então um dos principais aliados de Donald Trump, encontrou-se com Eduardo Bolsonaro para discutir estratégias eleitorais.

Na ocasião, Eduardo afirmou que Bannon se colocou à disposição para colaborar com atividades de inteligência da campanha, atuação digital e análise de dados, sem envolvimento financeiro direto.

Da campanha de 2018 à disputa de 2022

Quatro anos depois, nas eleições de 2022, o nome de Bannon voltou a circular no debate político brasileiro. Reportagem da Agência Pública apontou que a interlocução com Eduardo Bolsonaro “teve influência durante o processo de elaboração da teoria da fraude eleitoral”, narrativa que seria mobilizada após o resultado das urnas e que esteve na base dos atos de 8 de janeiro de 2023.

Ainda segundo a reportagem, Bannon manteve contato direto com integrantes da campanha. Após a confirmação da vitória de Lula pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o estrategista defendeu publicamente, em seu programa, que Bolsonaro não reconhecesse a derrota.

A atuação de Bannon não se restringe ao Brasil. O estrategista participou da articulação de campanhas e lideranças da extrema direita em diferentes países e esteve associado, de forma direta ou indireta, a processos eleitorais internacionais, incluindo a Hungria, onde Viktor Orbán buscava a continuidade de um dos governos mais longevos desse campo político na Europa.

Em entrevista à BBC News Brasil, o ex-estrategista de Trump descreveu Jair Bolsonaro como “líder”, “brilhante”, “sofisticado” e “muito parecido com Trump”, evidenciando o alinhamento político e ideológico entre os dois.

Histórico e controvérsias

Bannon também acumula controvérsias judiciais. Ele foi condenado por desviar recursos de uma campanha de arrecadação superior a US$ 15 milhões destinada à construção de um muro na fronteira entre Estados Unidos e México. Em fevereiro de 2025, declarou-se culpado para evitar nova prisão.

O estrategista também esteve ligado à fundação da Cambridge Analytica, empresa envolvida no escândalo de uso indevido de dados de usuários do Facebook para fins de direcionamento político nas eleições de 2016.

No caso brasileiro, a relação com outros integrantes da família Bolsonaro ocorre de forma indireta, mediada por Eduardo. Ainda assim, elementos desse alinhamento aparecem no discurso político recente.

Entre 12 e 14 de fevereiro de 2024, Jair Bolsonaro permaneceu por dois dias na embaixada da Hungria em Brasília, poucos dias após ter o passaporte apreendido pela Polícia Federal. O episódio evidenciou a proximidade política com o governo de Viktor Orbán, um dos principais aliados internacionais do campo político associado a Trump.

Em março de 2026, durante evento da extrema direita nos Estados Unidos, Flávio Bolsonaro afirmou que o Brasil poderia ser “a solução dos Estados Unidos para romper a dependência da China em minerais críticos”.