Durante o eclipse total que atravessou os Estados Unidos em 8 de abril de 2024, uma canção lançada 41 anos antes se tornou, quase automaticamente, a trilha sonora do raro fenômeno astronômico. “Total Eclipse of the Heart”, na voz de Bonnie Tyler, registrou um novo salto de popularidade, com crescimento de quase 50% nas buscas e reproduções nos dias que antecederam o evento.
A cantora já havia levado a coincidência até as últimas consequências em 2017, quando interpretou o sucesso ao vivo durante outro eclipse solar, a bordo de um navio no Caribe. A associação entre a música e o fenômeno ajudou a renovar periodicamente um clássico que nunca deixou de circular entre diferentes gerações.
A morte de Bonnie Tyler, aos 75 anos, foi anunciada por sua família na quinta-feira, 9 de julho. A cantora morreu na noite anterior, em um hospital em Portugal, em decorrência da doença para a qual estava sendo tratada. Ela havia passado por uma cirurgia intestinal de emergência e enfrentava complicações de saúde desde maio.
O anúncio provocou uma nova onda de interesse por seu legado. Não que sua trajetória tenha sido esquecida. Pelo contrário. “Total Eclipse of the Heart” ultrapassou 1 bilhão de reproduções no Spotify no início de 2026 e integra o seleto Billions Club da plataforma. O videoclipe oficial também soma mais de 1 bilhão de visualizações no YouTube.
A música repetiu, em outra escala, o fenômeno registrado por “Running Up That Hill”, de Kate Bush, e “Dreams”, do Fleetwood Mac. Canções de décadas anteriores foram redescobertas por usuários do TikTok, Instagram e outras plataformas, transformando-se em trilha sonora de milhares de vídeos e alcançando um público que sequer havia nascido quando foram lançadas.
Uma voz inconfundível
Escrita e produzida por Jim Steinman, “Total Eclipse of the Heart” foi lançada em 1983 e chegou ao primeiro lugar das paradas dos Estados Unidos e do Reino Unido. A combinação entre a produção grandiosa de Steinman e a voz rouca de Bonnie transformou a faixa em um dos símbolos das baladas pop dos anos 1980.
Além do sucesso de “Total Eclipse”, a cantora construiu um repertório de alcance mundial com músicas como “It’s a Heartache”, “Holding Out for a Hero”, “Lost in France”, “Straight from the Heart” e “Bitterblue”. Em uma carreira de cinco décadas, lançou 18 álbuns de estúdio e recebeu três indicações ao Grammy.
Nascida Gaynor Hopkins, no País de Gales, Bonnie ficou conhecida pela rouquidão da voz, intensificada após uma cirurgia para a retirada de nódulos nas cordas vocais, em 1976. A característica lhe rendeu comparações com Rod Stewart e acabou se transformando em sua principal marca artística.
Em 2013, representou o Reino Unido no Festival Eurovisão da Canção com “Believe in Me”. Dez anos depois, recebeu o título de Membro da Ordem do Império Britânico por sua contribuição à música. Seu último álbum, The Best Is Yet to Come, foi lançado em 2021.
Bonnie permaneceu nos palcos até poucos meses antes de morrer. Seu último show aconteceu em 19 de março de 2026, no O2 Shepherd’s Bush Empire, em Londres. Naquela noite, “Total Eclipse of the Heart” voltou a ocupar seu lugar habitual no repertório de uma cantora cuja voz continuava reconhecível desde os primeiros segundos.
