Os 30 anos da Fundação Perseu Abramo, celebrados em 5 de maio de 2026, são um marco não apenas para o Partido dos Trabalhadores, mas sobretudo para a consolidação de um projeto que tem contribuído de forma robusta para a produção de conhecimento no país.
Não é exagero. Para além de oferecer subsídios que embasam o discurso de dirigentes e militantes do PT, a Fundação tornou-se referência em pesquisa, reflexão e formação de cidadãos e cidadãs comprometidos com a verdade — e com o Brasil.
Além de acompanhar de perto os principais desdobramentos políticos, econômicos e sociais, a FPA oferece um vasto acervo bibliográfico, disponível gratuitamente para consulta e download. Um bom exemplo é o catálogo com as principais obras do economista Celso Furtado, recentemente digitalizado por sua editora — um trabalho indispensável para compreender o presente.
Por meio de encontros, cursos, palestras e seminários, a Fundação realiza, desde 1996, algo raro entre os partidos políticos brasileiros: difundir e traduzir, para todos e todas, conhecimentos que muitas vezes permanecem restritos ao ambiente acadêmico. Por ali passaram nomes como Marilena Chauí, Chico Buarque, Lilia Schwarcz e Maria da Conceição Tavares, entre tantos outros expoentes do pensamento nacional.
Tenho uma relação antiga com a Fundação. Ainda nos anos 1990, como jovem economista e consultor, tive a oportunidade de colaborar com a revista Teoria e Debate, célebre por reunir artigos de especialistas de diversas áreas e por se consolidar como um espaço de elaboração, de confronto honesto de ideias e de construção coletiva do pensamento crítico. Ali, aprendi que política pública não se faz apenas com boas intenções, mas com rigor intelectual, escuta e compromisso com a realidade.
O Partido dos Trabalhadores sempre compreendeu a importância de contar com um centro estruturado de pensamento — um verdadeiro think tank. A Fundação Perseu Abramo cumpre esse papel de forma exemplar. Em um mundo cada vez mais acelerado, em que a informação circula em excesso e, muitas vezes, sem profundidade, a existência de um espaço dedicado à reflexão estratégica, à formação política e à produção de conhecimento não é apenas relevante — é indispensável.
Ao longo de sua trajetória, a Fundação ajudou a formar quadros, a sistematizar experiências de governo e a antecipar debates fundamentais para o país. Foi assim nos primeiros governos do presidente Lula, nos anos de oposição e voltou a ser decisiva no processo de reconstrução que culminou no terceiro mandato.
O Brasil que encontramos recentemente exigia mais do que vontade política: exigia diagnóstico, acúmulo e capacidade de formulação. Era preciso compreender, em profundidade, as transformações econômicas, sociais e tecnológicas dos últimos anos para desenhar respostas à altura dos desafios.
Nesse processo, a Fundação Perseu Abramo teve um papel silencioso, mas fundamental. Contribuiu para organizar o debate interno, atualizar nossas leituras sobre o país e construir caminhos possíveis em meio a um cenário complexo.
A reconstrução do Brasil não começa do zero. Ela se apoia em uma história, em experiências acumuladas e em instituições que preservam e renovam esse legado. A Fundação é uma dessas instituições. Garante que o Partido dos Trabalhadores não seja apenas uma força eleitoral, mas também uma força intelectual — capaz de engajar, informar e transformar, sempre com base em análises técnicas e projeções consistentes sobre o futuro.
Celebrar os 30 anos da Fundação Perseu Abramo é, portanto, celebrar a importância das ideias na política. É reafirmar que governar exige mais do que decisões imediatas: exige visão de longo prazo, capacidade de diálogo e compromisso com a transformação social.
Em tempos de superficialidade e polarização, a Fundação segue sendo um espaço de profundidade e construção. E isso faz toda a diferença.
Fernando Haddad, professor e ex-ministro da Fazenda
