Geometrias, imaginações destes caminhos da minha terra!
Curvas de trilhas,
triângulos de asas,
bolas de cor…
Círculos de sombras agachadas entre as árvores, cilindros de troncos embebidos na luz.
Geometrias, imaginações destes caminhos da minha terra!
Melancolicamente, nesta alegria geométrica, pingando bilhas polidas,
o leque das bananeiras abana o ar da manhã…
Ronald de Carvalho (1893-1935), carioca, estreia em 1913 com livro de poesia composta em alexandrinos e sonetos à maneira tradicional.
O primeiro em estilo modernista seria Epigramas Irônicos e Sentimentais (1922), que, junto com Paulicéia Desvairada, de Mário de Andrade, disparou o tiro inicial da vanguarda poética no ano da Semana de Arte Moderna. O poeta participou da Semana, na qual declamou o poema “Os sapos”, de Manuel Bandeira, recebido com vaias.
Entre suas obras, há inclusive uma história da literatura brasileira, sempre reeditada. Na carreira diplomática, teve meritória atuação pessoal como representante da intelectualidade brasileira no exterior.
Seus principais livros de poesia são, além do já citado Epigramas…, Toda a América (1926) e Jogos Pueris (1926). Deste, extraímos o poema estampado aqui, que mostra bem o propósito, tipicamente modernista, de integrar à poesia a estética cubista que então irrompia na pintura, ao decompor a impressão subjetiva da paisagem em figuras geométricas.
