Em artigo publicado em 27 veículos internacionais, presidente defende o acordo Mercosul–União Europeia como reação ao unilateralismo e às guerras comerciais

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva publicou no último sábado, 17, um artigo em 27 jornais da União Europeia e do Mercosul, no qual apresenta o acordo entre os dois blocos como uma resposta política e econômica ao avanço do unilateralismo, do protecionismo e das guerras comerciais no cenário internacional. O texto foi traduzido para 17 línguas e divulgado na véspera da assinatura do tratado, realizada no Paraguai.
No artigo, Lula sustenta que, em um momento em que o protecionismo “isola mercados e inibe o crescimento global”, Mercosul e União Europeia optaram por um caminho distinto, baseado na integração, na abertura comercial e na defesa do multilateralismo. Para o presidente, o acordo representa uma alternativa concreta à lógica de confrontação que vem marcando parte do comércio internacional.
“O comércio internacional não é um jogo de soma zero”, afirma Lula no texto, ao defender que a cooperação entre os blocos pode gerar benefícios compartilhados, como crescimento econômico, geração de empregos, desenvolvimento sustentável e aumento da renda.
Um acordo negociado por mais de duas décadas
O tratado Mercosul–União Europeia foi negociado ao longo de mais de 25 anos e é apresentado por Lula como fruto da convicção de que a integração econômica é mais eficaz do que o isolamento. Segundo o presidente, o acordo cria a maior área de livre comércio do mundo, reunindo 31 países, cerca de 720 milhões de habitantes e um Produto Interno Bruto conjunto superior a US$ 22 trilhões.
Lula destaca que a parceria ampliará o acesso mútuo a mercados estratégicos, com regras classificadas como claras, previsíveis e equilibradas, além de estimular investimentos, exportações e a integração de cadeias produtivas dos dois lados do Atlântico.
Preservação de interesses e papel do Estado
No artigo, o presidente enfatiza que a versão final do acordo preserva interesses considerados sensíveis. Ele afirma que o texto aprovado resguarda setores vulneráveis, garante a proteção ambiental, fortalece os direitos dos trabalhadores e reafirma valores como democracia e direitos humanos.
Lula também sublinha que o tratado mantém o papel do Estado como indutor estratégico do desenvolvimento econômico e social, afastando a ideia de que a abertura comercial implique a perda de instrumentos de política pública.
Multilateralismo como escolha política
Para o presidente, a conclusão do acordo demonstra que Mercosul e União Europeia optaram pelo diálogo em condições de respeito e igualdade, mesmo diante de visões distintas. No texto, ele afirma que os blocos encontraram convergências e que a cooperação se mostra mais vantajosa e eficaz do que a intimidação e o conflito.
Ao tratar do cenário internacional, Lula associa o acordo à defesa de reformas em instituições multilaterais, como a Organização Mundial do Comércio e o Conselho de Segurança da ONU, e sustenta que o tratado simboliza a possibilidade de uma governança global mais ativa, representativa e justa.
Implementação como próximo desafio
Lula ressalta que a assinatura do acordo não encerra o processo, mas inaugura uma nova etapa. Segundo o presidente, o sucesso do tratado será medido pela rapidez com que seus benefícios chegarem “às prateleiras dos mercados, ao campo, às fábricas e aos bolsos dos cidadãos”.
“A assinatura constitui apenas um primeiro passo”, afirma, ao defender uma implementação ágil e transparente do que foi pactuado. Para o presidente, em um contexto de crescimento do extremismo político e de tensões comerciais, o acordo Mercosul–União Europeia reafirma a atualidade e a importância do multilateralismo como estratégia de desenvolvimento e estabilidade internacional.
