A revista Reconexão Periferias traz nesta edição um artigo do professor do Departamento de Ciência Política da Unicamp Wagner Romão que propõe uma reflexão sobre democracia representativa, em um ano particularmente importante, quando o voto popular definirá o futuro do país. “A representação não pode ser uma via de mão única em que o eleitor elege um político e deixa tudo nas mãos dele. Isso porque aquilo que motivou seu voto pode se perder ao longo dos anos de mandato daquele que se elegeu com seu voto. Acompanhar o desempenho daquele político que você elegeu – ou até mesmo a trajetória de vida daquela pessoa em quem você votou e não se elegeu – é verificar o quanto você continua se sentindo representado por ele ou ela. Isso é fundamental nas democracias”.

Na entrevista, o professor, historiador, escritor, educador e compositor, Luiz Antônio Simas fala sobre o carnaval como força emancipadora dos corpos, o papel dos sambas-enredo na reconstrução de narrativas históricas do Brasil atual e a amplitude da cultura africana, que representa um imenso potencial a ser explorado. Para ele, os sambas-enredo são um instrumento pedagógico de excelência e de alto poder que devem ser amplamente usados nas salas de aula.

Na seção Perfil, o rapper e escritor Mano Cascata conta a história da Produtora Quinto Elemento, nascida de uma ação territorial coletiva na região metropolitana de Porto Alegre (RS), em 2018, a partir de um grupo de artistas e agentes culturais.

A edição traz ainda uma reportagem sobre o seminário Periferias e o PT – uma reconexão estratégica e necessária, realizado pela Fundação Perseu Abramo em 28 e 29 de janeiro, reuniu em Brasília secretários estaduais e nacionais do Partido dos Trabalhadores, integrantes da equipe e do conselho do projeto Reconexão Periferias, ativistas e pesquisadores periféricos para traçar um plano de organização da militância petista que possibilite ampliar o diálogo com as periferias de todo o Brasil.

A seção de Arte apresenta o artista plástico, grafiteiro e rapper da Brasilândia (SP) Pablo Martins, que iniciou sua trajetória nas ruas ainda jovem, encontrando na arte urbana um meio de expressão e transformação. Desde o final dos anos 1990 atua com grafite comercial e produções autorais ligadas à cultura hip-hop.