Praticamente um em cada quatro brasileiros ocupados trabalha hoje como conta-própria. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios do Instituto Brasieiro de Geografia e Estatística (PNAD/ IBGE), no último trimestre de 2016 eram 22,1 milhões de brasileiros nesta condição. Gente que não tem patrão, nem empregado, que vive ao sabor do ciclo econômico e que por isso tem sofrido com maior intensidade os efeitos da recessão.

Em 2014, eram 21,7 milhões ocupados por conta própria. Devido à recessão que tomou forma em 2015, quase dois milhões de brasileiros perderam seus empregos e, pelo que sugerem os números, muitos deles acabaram se lançando na aventura de trabalhar por conta. Apenas no primeiro ano de recessão (isto é, ao longo de 2015), nada menos que 1,1 milhão de brasileiros passaram a atuar como conta própria, fazendo saltar o número total para 22,9 milhões.

Provavelmente, muitos deles eram trabalhadores que receberam algum dinheiro como indenização rescisória, sacaram o FGTS e resolveram apostar as fichas como profissionais autônomos.

Mas, em 2016, a crise se aprofundou e, ao que parece, um tanto daqueles trabalhadores por conta própria não conseguiu se manter em atividade. Comparando o último trimestre de 2016 com o mesmo do ano anterior, nada menos que 784 mil pessoas abandonaram esse tipo de ocupação, engrossando a enorme massa de trabalhadores “subutilizados” (desocupados + subocupados), que, ao final de 2016, já correspondia a mais de 20 milhões.

É um dado amargo. Uma face da recessão da qual pouco se comenta. Milhares de desempregados que num último sopro de esperança torraram suas economias para quem sabe começar uma nova vida de forma autônoma. Por certo, não contavam com a indiferença e a austeridade de um governo que só tem ouvidos para o rentismo.