O governo dos Estados Unidos anunciou nas últimas semanas novos ataques a organizações de esquerda no mundo. Desta vez o alvo foram coletivos políticos que a gestão do presidente Donald Trump classificou, sem apresentar provas, como “redes terroristas violentas de extrema-esquerda”.
A medida atinge a britânica Palestine Action, o coletivo italiano Autistici/Inventati e a organização transnacional Masar Badil. A medida tem como objetivo interromper estruturas financeiras e redes internacionais utilizadas pelas organizações. Instituições financeiras estrangeiras também podem ficar sujeitas a sanções secundárias caso realizem transações envolvendo os grupos designados.
A ação partiu do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros, ligado ao Departamento do Tesouro, com base na Ordem Executiva 13224, instrumento usado pelos Estados Unidos para impor sanções relacionadas ao terrorismo.
Cada um desses coletivos operava em uma frente diferente: o Palestine Action focava em ações diretas e boicotes físicos, invadindo e bloqueando fábricas de armas no Reino Unido para interromper o fornecimento militar a Israel. O Masar Badil organizava a mobilização política global da diáspora palestina, promovendo conferências e protestos internacionais contra a colonização e a favor da resistência armada.
Já o Autistici/Inventati atuava no espaço digital, fornecendo infraestrutura de internet gratuita e anônima (como e-mails e blogs seguros) para ativistas políticos e movimentos sociais. As medidas resultaram em prisões, banimentos e no encerramento definitivo de suas atividades após o confisco de seu domínio e o bloqueio de suas contas bancárias.
Em nota, o coletivo brasileiro Intervozes, que realiza atividade semelhantes, repudiou os ataques estadunidenses às organizações.
“Manifestamos nosso apoio incondicional à luta por autodeterminação digital e dos povos, à defesa da privacidade como direito fundamental e à construção de alternativas às plataformas controladas por grandes corporações e governos autoritários. Por fim, reafirmamos que enquanto o fascismo seguir sendo tratado como opinião e o antifascismo como terrorismo, certamente estaremos ao lado de quem resiste e constrói mundos possíveis”.
Nos últimos meses, Trump tem ampliado os seus ataques a universidades, emissoras de TV e qualquer grupo político associado ao campo progressista, seja em publicações nas redes sociais ou com ameaças concretas de sanções e restrições a liberdades constitucionais.
