Cheguei e o cara disse: o dr. Geraldo mandou dar esse dinheiro de presente para você.

E assinei um papel.

Que coisa fantástica!

E eu tinha ido lá para mandá-lo para aquele lugar por estar me cobrando e ele estava me dando.

Das muitas histórias de suas duas passagens pela Norton, em 60 e 67, Carlito Maia lembra com carinho daquela tarde em que precisava de Cr$ 15 milhões (em valores da época) que faltavam para comprar uma casa.

Ao chegar à Norton e cruzar com Geraldo Alonso, pois tinham sala no mesmo andar, o 7o, Alonso, intuindo problemas, perguntou se estava tudo bem.

“Não”, respondeu Carlito. “Preciso de 15 milhões para comprar uma casa”.

Alonso não titubeou.

Ligou para a contabilidade e disse que soltassem um vale para Carlito com essa quantia, a ser descontada mensalmente, à base de Cr$ 500 mil por mês.

Carlito, boquiaberto, disse: “Geraldo, 500 mil por mês são trinta meses. Você acha que eu vou ficar aqui todo esse tempo?”.

“Não interessa”, respondeu Geraldo.

“Dias depois, briguei com ele e fui embora.

Um dia, chego em casa e encontro um recado para falar com o dr. Geraldo, na Norton.

Era perto do Natal. Eu estava com o espírito natalino, mas não tinha grana, nada.

Pensei: era só o que faltava. Fui até lá e desci no andar da contabilidade. Cheguei e o cara disse: o dr. Geraldo mandou dar esse dinheiro de presente para você.

E assinei um papel.

Que coisa fantástica!

E eu tinha ido lá para mandá-lo para aquele lugar por estar me cobrando e ele estava me dando.

Tomei o elevador e fui até o 7o andar.

Abri a porta da sala e ele me olhou por cima dos óculos. ‘O que você quer?’, perguntou. ‘Você é um cara fantástico!’.

Bati a porta e fui embora.

Nunca mais vi o Geraldo Alonso.

Carlito nunca mais viu Geraldo Alonso mas nunca o esqueceu.

Anos mais tarde, ao ler no jornal um anúncio da Norton pedindo profissionais de atendimento para contas pequenas, Carlito Maia contratou um anão e mandou se apresentar pessoalmente a Geraldo Alonso, com uma carta de recomendação.

O próprio Geraldo tinha prazer de contar essa história.

Imprensa – novembro de 1991, p. 78