Reinaldo Gonçalves e Valter Pomar | 2000
50 Páginas
Editora: Fundação Perseu Abramo
ISBN: 85-86469-24-6

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Reúne dados atualizados sobre o endividamento nacional. De forma sistemática e abrangente, o livro explica as origens da dívida externa brasileira e como ela cresceu assustadoramente nos últimos 30 anos.

Apresentação
“Todo ano o sistema financeiro internacional mata mais pessoas do que a Segunda Guerra. Mas, pelo menos, Hitler era louco.”

Ken Livingstone (Ken, o vermelho), prefeito de Londres O Brasil é um país endividado.

As pessoas e as empresas devem ao sistema financeiro mais de 237 bilhões de reais. Em dezembro de 1999, o valor total de atrasos no pagamento dos empréstimos passou de 24 bilhões de reais.

O setor público brasileiro deve mais de 516 bilhões de reais – este valor inclui a dívida do governo (esferas municipal, estadual, federal e do Banco Central), bem como a dívida das empresas estatais. Isso equivale a 47% do Produto Interno Bruto (PIB). Desse total, mais de 432 bilhões de reais são dívidas do governo federal. A dívida externa brasileira, pública e privada, atingiu 241 bilhões de dólares em dezembro de 1999 (ver Quadro 1 e tabelas 1 a 3, nas p. 39 e 40).

A maior prova de que esse endividamento todo não resultou numa vida melhor para a maioria da população brasileira são os sem-emprego, os sem-terra, os sem-teto, os sem-escola, os sem-saúde... encarnação viva de nossa enorme dívida social.

Dívida social, dívida pública, dívida privada... O governo diz que só poderemos pagá-las se houver crescimento econômico, o que dependeria, por sua vez, de investimento estrangeiro. Que só virá para o país se formos pontuais no pagamento de nossa dívida externa e interna.

Trata-se de uma nova versão da fábula de “fazer o bolo crescer, para depois dividi-lo”, utilizada pelo regime militar na época do “milagre brasileiro”. Primeiro pagamos os grandes capitalistas, credores de nossa dívida externa e interna. Depois, pagamos a dívida social com a maioria do povo. Como todos sabem, o dia de dividir o bolo nunca chega. Enquanto isso, as dívidas só crescem, indicando que uma (nova) pane geral pode estar próxima.

Este livro trata principalmente da dívida externa brasileira, a ponta do iceberg, o nó das várias tramas que devem ser desatadas para que possamos pagar a dívida realmente importante: a dívida social. E para que possamos mudar nossa política econômica, que tem entre seus pilares a dependência externa e a especulação financeira.

Buscamos sistematizar e atualizar as informações sobre a dívida externa brasileira, contribuindo assim para o debate deste assunto e para a campanha contra a dívida, que terá no ano de 2000 um momento muito importante, com a realização de um grande Plebiscito Nacional, no qual o povo brasileiro poderá dizer o que acha do acordo com o Fundo Monetário Internacional e o que deve ser feito com as dívidas externa e interna.