(…) Devo curvar-me até o chão
para recolher os estilhaços da estrela
a palavra e o sal
que sustentam nossas dúvidas
e nossas certezas;
não seremos expulsos do tempo
que nos coube viver.
Contemplo vigas, tijolos, palavras
Os rostos, os corações abertos.
As cores, os abraços. As lágrimas.
Os olhos das pessoas inundados
pelo sublime veneno da esperança.
Estamos de pé,
para retomar a marcha interrompida.
Agora é vigília.
Agora é a rua,
a praça,
os becos,
os morros,
os cais,
os corações.
O chão da fábrica,
o assédio à cerca do latifúndio.
As escolas ocupadas pelos que nasceram depois de nós.
A guerrilha digital contra a acidez do ódio
que sonha dissolver
a invencível alegria de nossa gente.
Acreditem, os sonhos do ódio não vingam.
(Para Teoria & Debate nos 30 anos da Fundação Perseu Abramo)
Pedro Tierra
