Resultados da eleição no Uruguai: 'Les doy mi corazó', por Pedro Henrics
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José “Pepe” Mujica surpreendeu a todos na última semana antes das eleições ao comparecer, debilitado e profundamente emocionado, ao comício multitudinário de seu candidato, Yamandú Orsi, que até aquele momento liderava as pesquisas com ampla vantagem sobre seus adversários.

Mujica, que pela primeira vez em 40 anos não participava ativamente de uma campanha eleitoral devido a problemas de saúde, expressou sua determinação em estar na Plaza 1 de Mayo para apoiar Orsi. Com palavras tocantes, afirmou: “Soy un anciano que está muy cerca de emprender la retirada de no se vuelve, pero soy feliz porque están ustedes, porque cuando mis brazos se vayan habrá miles de brazos sustituyendo la lucha” (“Sou um ancião que está muito perto de empreender a retirada da qual não se volta, mas sou feliz porque vocês estão aqui, porque quando meus braços se forem, haverá milhares de braços substituindo a luta”).

Apesar da presença inspiradora de Mujica, ainda reverenciado no Uruguai, Yamandú Orsi não conseguiu a vitória no primeiro turno, recebeu 43,9% dos votos e seu adversário, Álvaro Delgado, 26,8%. Assim, o Uruguai se prepara para um segundo turno, marcado para o dia 24 de novembro, onde será difícil inverter o cenário favorável a Yamandú.

Destaca-se o crescimento do Partido Colorado, que surpreendeu ao conquistar 16% dos votos, contrariando prognósticos iniciais, transformando o advogado Andrés Ojeda em uma nova liderança.

A formação das casas legislativas ficou assim definida:

Os uruguaios têm uma tradição forte na defesa da democracia, rejeitando radicalismos e preferindo transições suaves. Neste novo cenário, o que se espera é que o país continue a buscar um caminho de diálogo e entendimento em meio a esse momento político desafiador.


* Pedro Henrichs é Gestor Público formado pelo Instituto de Educação Superior de Brasília IESB, CEO da Henrichs Consultoria, secretário executivo Regenera Brasil, ex-presidente do Fórum de Juventude dos BRICS. Observador eleitoral há 14 anos, 18 países na América, 4 países na Europa, 1 na África, e 3 na Ásia.