O gesto de formar a letra “L” com os dedos, usado por Luiz Inácio Lula da Silva desde a campanha de 1989, passou a ser reproduzido por lideranças e manifestantes de esquerda em outros países. Há registros em atos na Espanha, no México, no Chile, na Itália, no Líbano e na França.

A circulação do símbolo acompanhou a campanha e a reeleição do presidente brasileiro. Em 25 de outubro, Lula derrotou Flávio Bolsonaro (PL) com 51,79% dos votos válidos e 64.256.232 votos, superando seu próprio recorde.

Além do gesto, grupos políticos estrangeiros têm procurado adaptar a mobilização digital da campanha brasileira. Canais de apoio ao peronismo argentino, ao francês Jean-Luc Mélenchon e ao presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, cresceram nesse período.

De Madri à Cidade do México

Na Espanha, a ex-prefeita de Barcelona Ada Colau pediu aos participantes de um ato da coalizão Frente Ampla, em Madri, que fizessem o sinal. “Vamos todas levantar o braço com o ‘L’ de Lula”, convocou. A manifestação ocorreu antes da confirmação do resultado brasileiro, durante a preparação da esquerda espanhola para as eleições gerais de 29 de novembro.

Colau associou o gesto à disputa no país. “Pela esperança. Pela Palestina livre. Por Lula no Brasil. Pela Frente Ampla no dia 29 de novembro. Vamos ganhar, companheiras.”

Em um comício em Gijón, Sánchez, líder do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), também citou a eleição brasileira. “Se o Brasil conseguiu, a Espanha consegue”, afirmou. Disse ainda que “a virada do progressismo global acaba de começar”. O partido passou a usar o “L” em peças de propaganda.

No México, a presidente Claudia Sheinbaum fez o gesto ao comentar o resultado, em coletiva de imprensa em 26 de outubro. “Muitos, muitos parabéns ao presidente Lula, ao povo do Brasil. É uma lufada de ar fresco para a América Latina e o Caribe.” No Chile, deputados do Partido Socialista repetiram o sinal dentro do Congresso.

Mobilização digital

A organização de apoiadores em grupos e canais de mensagens, usada pelo “Exército de Lula” durante a campanha, também despertou o interesse de lideranças estrangeiras. Os grupos distribuem conteúdos e tarefas entre militantes para ampliar a presença dos candidatos nas redes.

O deputado federal André Janones (Rede-MG), um dos articuladores da comunicação pró-Lula, é citado por grupos interessados na experiência brasileira. Cartilhas em espanhol com as chamadas “regras de Janones” circulam nas redes. Entre as orientações estão evitar interações com publicações de adversários e cumprir “missões” de divulgação.

Na Argentina, o Ejército del Peronismo, ligado à ala jovem e mais à esquerda do peronismo, passou de 41 mil para 60 mil integrantes, crescimento de cerca de 46%. O movimento integra a oposição ao presidente Javier Milei.

Na França, o canal L’équipe de Mélenchon officielle, que reúne apoiadores do fundador da França Insubmissa, cresceu de 57 mil para 147 mil participantes, alta de aproximadamente 158%. A mobilização mira a eleição presidencial de 2027. Em alguns vídeos, apoiadores reproduzem o “L” e depois mudam a posição dos dedos para formar um “M”.

Na Espanha, o canal La fuerza de la gente, criado em apoio a Sánchez, passou de 25 mil para 42 mil integrantes, crescimento de 68%.

Registros pelo mundo

O site independente L pelo Mundo, mantido pela jornalista Paloma Macetko, reúne vídeos, notícias e um mapa dos países onde o gesto foi registrado. A plataforma lista Brasil, Espanha, México, Chile, Argentina, França, Estados Unidos, Alemanha, Grécia, Itália e Líbano.

Sob o lema “Winning is possible”, ou “vencer é possível”, o site apresenta o “L” como sinal de mobilização contra a extrema direita. Também reúne material de campanha com comparações sobre fome, saúde, salários, democracia e direitos de pessoas trans e com deficiência.

Em artigo de opinião publicado no Esquerda.net, a vitória brasileira é atribuída à unidade dos sete partidos da coalizão “Brasil Pronto pra Mais”, à mobilização de rua, à regulação das plataformas e ao ativismo digital.