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Em meio à recessão e à queda de receitas, COPOM decide não elevar taxa de juros: O Comitê de Política Monetária (COPOM) do Banco Central anunciou, na noite de ontem, sua decisão de manter a taxa de juros de curto prazo, a SELIC, inalterada em seu patamar de 14,25%. Esta decisão, que surpreendeu uma parte expressiva do mercado financeiro (que esperava aumento de 0,5% na taxa de juros), foi tomada em decorrência do enfraquecimento do ritmo de atividade da economia nacional, fato visto tanto nas estatísticas oficiais quanto nas previsões de órgãos como o FMI e o próprio mercado financeiro. A continuidade da recessão, que pode chegar a -3,5% em 2015, de acordo com o FMI, provocará naturalmente a queda da inflação, fazendo com que um aumento da taxa de juros contribua apenas para reforçar a recessão, sem maiores impactos sobre os níveis de preços. A queda da inflação decorrerá, em grande medida, da retração da renda das famílias e dos salários, retirando demanda da economia. Por outro lado, a recessão provoca também a queda da arrecadação pública, que apresentou o pior resultado em cinco anos, com redução real de 5,62% na comparação com o ano anterior. Esta queda da receita provocada pela recessão praticamente inviabiliza a estabilização das contas públicas, fato que seria apenas agravado pelo aumento dos juros, pois este aprofundaria a recessão (e, portanto, a queda das receitas), ao mesmo tempo que aumentaria os gastos do tesouro nacional com juros da dívida pública.
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Comentário: A manutenção da taxa de juros era a medida menos danosa para o país no momento conturbado que a economia brasileira atravessa. O aumento dos juros, além de completamente inócuo para conter a alta dos preços, serviria apenas para aprofundar a recessão e a crise fiscal, reduzindo a arrecadação pública e aumentando os gastos com juros. Já a redução da taxa de juros está inviabilizada pela elevada inflação, que persistirá até meados de 2016, dada a elevada indexação ainda presente na economia brasileira. Resta saber se a inflação irá ceder as pressões deflacionárias do processo recessivo ou se vai se manter elevada devido a uma combinação de indexação, desvalorização cambial e expectativas altistas. Se os fatores “reais” (como salários, preços administrados e condições de demanda) forem mais determinantes na trajetória dos preços, veremos uma queda gradual do acumulado de doze meses da inflação ao longo do ano, fazendo com que o IPCA feche mais próximo do teto da meta em 2016, o que obrigará uma revisão para baixo nas expectativas de inflação hoje presentes no mercado financeiro. Caso, no entanto, os fatores expectacionais tenham um impacto maior que o esperado, a inflação permanecerá acima do teto da meta por mais um ano, jogando novamente pressão sobre o BACEN para elevar os juros. Do ponto de vista do governo, a manutenção da taxa de juros implica menores gastos com juros, já que os juros futuros de curta maturidade (até um ano e meio) tendem a cair, sendo que nos últimos meses é exatamente estes títulos curtos que o governo tem usado para se financiar. O aumento dos juros longos, com a incerteza do mercado financeiro acerca do futuro da inflação, afeta poucos agentes, uma vez que no cenário atual quase ninguém se financia a longo prazo com a taxa de juros de mercado, se valendo quando necessário da TJLP do BNDES ou de captações no exterior, com juros inferiores aos brasileiros.
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