O senador Flávio Bolsonaro publicou um vídeo nas redes sociais com críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, associando o conteúdo ao cenário atual de fome no país. As imagens, no entanto, foram gravadas em 2021, durante a gestão de Jair Bolsonaro, pai do parlamentar que é pré-candidato à Presidência da República nas eleições deste ano.

A gravação mostra pessoas recolhendo restos de alimentos em um caminhão de lixo no bairro Cocó, em Fortaleza. À época, o caso ganhou repercussão em meio à pandemia de Covid-19, quando o país enfrentava aumento da pobreza e da insegurança alimentar, com registros de famílias buscando comida em descarte de supermercados.

O vídeo voltou a circular após ser reutilizado pelo parlamentar sem referência ao contexto original. A publicação gerou repercussão nas redes sociais pelo uso de imagens de um período anterior para embasar críticas à atual gestão federal.

Mesmo com a revelação de que o vídeo era da gestão de seu pai, o pré-candidato à Presidência manteve a publicação nas redes sociais e não respondeu aos questionamentos da imprensa sobre o caso.

Lula tirou o país da fome

Em 2021, o Brasil voltou para o Mapa da Fome depois de mais cinco anos fora, quando o governo Dilma havia conquistado o feito. Foi no governo do pai de Flávio que o Brasil registrou mais de 33 milhões de brasileiros sem garantia de ter o que comer. O número apontava um crescimento de 7,2% em comparação com 2020.

Com a saída de Jair Bolsonaro da Presidência, o Brasil saiu novamente do Mapa da Fome em 2025, de acordo com relatório divulgado nesta segunda-feira (28) pela Organização das Nações Unidas (ONU).

Segundo o levantamento, menos de 2,5% da população está em risco de subalimentação (situação em que uma pessoa consome, de forma habitual, menos calorias do que o necessário para manter uma vida ativa e saudável).

O Mapa da Fome é elaborado pela FAO, agência da ONU especializada em Alimentação e Agricultura, e mede o acesso da população à alimentação suficiente para uma vida ativa e saudável.

Retorno de políticas sociais

A partir de 2023, o país voltou a priorizar o combate à fome e a proteção das famílias em situação de vulnerabilidade. Nesse contexto, o novo Bolsa Família foi relançado, resgatando seu conceito original e incorporando novos instrumentos, além de fortalecer ações complementares voltadas à inclusão produtiva, à autonomia das famílias e ao acompanhamento social.

Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, em 2025 o Programa Bolsa Família consolidou um ciclo de avanços, com cerca de 19,8 milhões de famílias atendidas mensalmente e investimento de quase R$ 160 bilhões entre janeiro e dezembro. O programa garantiu um pagamento médio de R$ 680 por família, em cada parcela.