O senador Ciro Nogueira (PP-PI), ex-ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro e atual presidente nacional do Progressistas, foi alvo de uma operação da Polícia Federal nesta quinta-feira (7) por suspeita de usar sua influência política e o mandato parlamentar em benefício do empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. A investigação apura possíveis crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e tráfico de influência.
Segundo a Polícia Federal, a investigação apura suspeitas de que Ciro Nogueira teria atuado politicamente em favor de interesses do Banco Master e de Daniel Vorcaro em Brasília. A PF investiga se houve contrapartidas financeiras ou benefícios indiretos relacionados a essa atuação.
Os investigadores afirmam ter encontrado indícios de repasses mensais que variavam entre R$ 300 mil e R$ 500 mil ao senador. A
PF também aponta pagamento de hospedagens em hotéis de luxo, viagens internacionais, despesas pessoais e restaurantes, além da cessão de um imóvel de alto padrão sem cobrança.
De acordo com a investigação, Daniel Vorcaro também teria oferecido a Ciro participação societária avaliada em cerca de R$ 13 milhões por apenas R$ 1 milhão.
Os investigadores afirmam ainda que mensagens apreendidas mostram operadores do banqueiro discutindo pagamentos e despesas relacionadas ao senador e sua família.
O caso está sob supervisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou mandados de busca e apreensão no Distrito Federal, São Paulo, Minas Gerais e Piauí. Segundo a PF, Ciro aparece como “destinatário central” dos benefícios investigados.
Ciro e o bolsonarismo
O líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), afirmou nas redes sociais que a operação “expõe mais uma vez as relações promíscuas entre setores do bolsonarismo, do Centrão e interesses privados que gravitaram em torno do governo anterior”. Já a deputada Jandira Feghali afirmou que o caso “revela como personagens centrais da articulação bolsonarista seguem envolvidos em investigações graves conduzidas pela Polícia Federal”.
Parlamentares da base governista também passaram a relembrar a proximidade histórica entre Ciro Nogueira e Jair Bolsonaro, especialmente o período em que o senador comandou a Casa Civil e se tornou o principal articulador político do Palácio do Planalto no Congresso Nacional.
Coube a Nogueira negociar apoio parlamentar, distribuição de cargos e alianças com partidos do Centrão até o fim do mandato de Bolsonaro.
Nas redes sociais, voltou a circular uma declaração do senador Flávio Bolsonaro, em vídeo, que afirmou no ano passado que Ciro Nogueira seria seu “vice dos sonhos” em uma eventual chapa presidencial ligada ao bolsonarismo.
Influência de Vorcaro em Brasília
O banqueiro Daniel Vorcaro ganhou projeção política em Brasília durante a reta final do governo Jair Bolsonaro, período em que o Banco Master ampliou sua presença no mercado financeiro e estreitou relações com figuras do Centrão e do bolsonarismo.
Vorcaro passou a frequentar reuniões, eventos empresariais e espaços de articulação política ao lado de lideranças como Ciro Nogueira, Valdemar Costa Neto e parlamentares ligados ao PL e ao PP.
Daniel Vorcaro ampliou sua circulação nos bastidores de Brasília principalmente durante os últimos anos do governo Jair Bolsonaro e no atual ciclo de articulações do Centrão para 2026. O controlador do Banco Master aproximou-se de lideranças políticas, empresários e operadores influentes em meio à expansão acelerada do banco no mercado financeiro.
Nos últimos anos, reportagens passaram a registrar a presença de Vorcaro em encontros políticos, eventos empresariais e espaços de negociação frequentados por dirigentes partidários, parlamentares do Centrão e figuras ligadas ao bolsonarismo.
Entre os nomes associados publicamente ao entorno político do banqueiro aparecem lideranças como Ciro Nogueira (PP-PI), o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, além de interlocutores ligados ao PP, Republicanos e setores da antiga base de sustentação de Jair Bolsonaro no Congresso.
O avanço do Banco Master também aproximou Vorcaro de setores estratégicos do sistema financeiro e de grupos com forte influência institucional em Brasília. Investigações e revelações publicadas nos últimos meses apontaram interlocução do banqueiro com empresários, integrantes do mercado financeiro, dirigentes partidários e autoridades com trânsito nos Três Poderes.
