Parlamentar descreve sessão como “dia da infâmia” após remoção violenta de Glauber Braga e aprovação de anistia que “garante a impunidade”

A sessão plenária da Câmara dos Deputados da última terça-feira (9/12), que se estendeu até a madrugada de quarta-feira, 10, foi descrita pelo deputado Alencar Santana (PT-SP) como “um dia da infâmia, um dia muito triste aqui na Câmara, em que a violência e o autoritarismo prevaleceram”.

O parlamentar, presente durante todo o episódio, fez uma avaliação contundente: “ontem foi um dia da infâmia, um dia muito triste aqui para a Câmara, onde a violência e o autoritarismo prevaleceram, violência contra o deputado Glauber, deputados que ali estavam tentando defendê-lo, contra a imprensa também que foi retirada do plenário, de qualquer tipo de cobertura, cerceando o trabalho numa medida autoritária, o sinal da Câmara cortado também, uma sabotagem também, uma medida autoritária”.

Santana referia-se ao momento em que a transmissão da sessão foi interrompida abruptamente, os jornalistas retirados do plenário e o deputado Glauber Braga foi retirado do plenário pelos seguranças da Câmara com uso de força bruta e violência. 

O deputado continuou: “Então, o que a gente viu ontem foi um horror, literalmente um horror, que depois, na madrugada, ainda se consolidou com a aprovação da anistia, que eles tentam dar um outro nome, perdoando, garantindo a impunidade àqueles que tramaram contra a democracia brasileira”.

“Bode expiatório”

O deputado explicou a sua participação: “a gente estava no meio defendendo o Glauber. Não fui agredido diretamente, mas naquele empurra, empurra sem dúvida, também fui atingido pelas forças de segurança” que agiam por ordem do presidente da Câmara.

O parlamentar fez um contraste entre os tratamentos dados aos parlamentares que tomaram a mesa da Câmara durante 48 horas “as agressões que foram praticadas anteriormente por outros deputados não foram punidas”, inclusive uma uma “agressão ao presidente da Câmara, quando ocuparam a cadeira dele e impediram que a sessão ocorresse”, lembrou. Ele também citou que, até o momento, em relação aos casos de Eduardo Bolsonaro, Carlos Zambelli, Ramagem, “a Câmara não tomou nenhuma providência efetiva”.

Santana salientou que são situações bem opostas, bem diferentes, pois ele percebe um movimento de fazer do deputado Glauber Braga “o bode expiatório para dizer que a Câmara age contra todo mundo. Lamentável.”

Para Alencar Santana, o episódio representa mais do que um dia conturbado: “ontem foi um dia muito triste para todos nós que vai ficar na história e sem dúvida alguma, alguns serão lembrados diante de tanta barbaridade que cometeram na data de ontem”, concluiu.