O segundo fim de semana do período de convenções partidárias oficializou mais uma série de candidaturas à Presidência da República e transformou a interferência estrangeira na disputa brasileira no principal tema da pré-campanha.

O PL homologou, no sábado, 25, no Pacaembu, em São Paulo, a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (RJ), sem definir o vice-presidente nem fechar coligações. O evento contou com a participação do presidente da Argentina, Javier Milei, vídeo do primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, em apoio ao candidato, e um vídeo produzido com inteligência artificial simulando a imagem e a voz de Jair Bolsonaro (PL), preso em regime domiciliar após condenação por tentativa de golpe de Estado.

No discurso, Milei chamou o ministro Alexandre de Moraes, do STF, de “basura calva” (lixo careca), ao criticar a decisão que o impediu de visitar Bolsonaro. O governo brasileiro reagiu com a convocação do embaixador em Buenos Aires para consultas em Brasília, procedimento que especialistas consideraram uma crise diplomática.

A convenção foi marcada por ausências. Não compareceram a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro — que enviou vídeo com menção protocolar ao candidato e teve a imagem representada por um tótem de papelão —, os irmãos Carlos e Eduardo Bolsonaro, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) e o pastor Silas Malafaia. Segundo a Folha de S.Paulo, parte do público deixou o ginásio durante o discurso de Flávio.

Uso de IA

O PT protocolou representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o vídeo gerado por IA, sob a alegação de propaganda antecipada, violação das regras sobre deepfakes e descumprimento das medidas cautelares impostas a Bolsonaro. O vice-líder do governo na Câmara, deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), pediu à PGR a apuração de crime eleitoral.

O ex-ministro do TSE Henrique Neves afirmou que o artigo 337 do Código Eleitoral tipifica como crime a participação de estrangeiro ou de pessoa com direitos políticos suspensos em atividades partidárias, com pena de detenção de seis meses e multa. Segundo ele, a substituição de candidato só é possível em caso de renúncia, morte ou expulsão partidária, até 20 dias antes do pleito, e a chapa não pode ser registrada incompleta.

O PSD oficializou, no domingo, 26, em São Paulo, a candidatura do ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, com o presidente da legenda, Gilberto Kassab, como vice, em chapa formada apenas por filiados. Caiado classificou como “inadmissível” que os Estados Unidos coloquem em dúvida a lisura das eleições brasileiras e afirmou que a candidatura de Flávio está sendo construída “de fora para dentro”. O partido, porém, mantém alianças divergentes: apoia Tarcísio em São Paulo e tem diretórios com Lula no Rio, na Bahia e no Nordeste.

Na segunda-feira, 27, o Novo indicou o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema à Presidência, em Brasília, também sem vice definido — decisão adiada para 5 de agosto. MDB e Progressistas realizaram convenções na capital federal, com previsão de neutralidade na disputa presidencial ou de delegação da decisão às executivas nacionais.

O partido Missão, criado a partir do Movimento Brasil Livre (MBL) e registrado no TSE em novembro de 2025, antecipou sua convenção nacional e oficializou Renan Santos como candidato à Presidência. A legenda fará em 1º de agosto um evento para divulgar seu programa de governo. 

PT confirma Fernando Haddad ao governo de SP e chapa de senadores e deputados 

O PT realizou, no mesmo fim de semana, em Campinas, sua convenção estadual, na qual lançou Fernando Haddad ao governo de São Paulo, Márcio França (PSB) como vice e Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB) ao Senado. Presente ao ato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que “quem quiser de fora vir se meter nas eleições brasileiras vai apanhar muito”. Haddad criticou a condecoração concedida a Milei pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) no Palácio dos Bandeirantes. 

O PT vai disputar o governo em 11 capitais como cabeça de chapa.

Convenções em outros estados 

Nas convenções estaduais, o PSD confirmou Eduardo Paes ao governo do Rio, com Jane Reis (MDB) como vice, e Sandro Alex ao Paraná. O Republicanos lançou Anthony Garotinho no Rio.

O PT realiza sua convenção nacional em 2 de agosto, em São Paulo, para confirmar Lula à reeleição, com Geraldo Alckmin (PSB) como vice. O PDT anunciou, na segunda-feira, seu apoio à reeleição de Lula.

O prazo para as convenções vai de 20 de julho a 5 de agosto. As atas devem ser transmitidas à Justiça Eleitoral pelo sistema CANDex até o dia seguinte ao evento, conforme o TSE. O registro das candidaturas deve ser pedido até as 19h de 15 de agosto, e a campanha começa em 16 de agosto.