Let me not to the marriage of true minds
Admit impediments. Love is not love
Which alters when it alterion finds,
Or bends with the remover to remove:
O, no! It is an over-fixed mark,
That looks on tempests and is never shaken;
It is star to ever wandering bark,
Whose worth’s unknown, although his height be taken.
Love’s not Time’s fool, though rosy lips and cheeks
Within his bending sickle’s compass come;
Love alters not with his brief hours and weeks,
But bears it out even to the edge of doom.
If this be error and upon me proved
I never writ, nor no man ever loved
Que eu não veja empecilhos na sincera
União de duas almas. Não amor
É o que encontrando alterações se altera
Ou diminui se atinge o desamor.
Oh não! amor é ponto assaz constante
Que ileso os bravos temporais defronta.
É a estrela guia do baixel errante,
De brilho certo, mas de valor sem conta.
O Amor não é o jogral do Tempo, embora
Em seu declínio os lábios nos entorte.
O Amor não muda com o dia e a hora,
Mas persevera ao limiar da Morte.
E se prova que num erro estou,
Nunca fiz versos, nem jamais amou.
Willian Shakespeare (Stratford on Avon – 1564-1616) foi ator, autor de peças teatrais e poeta. Ben Jonson, seu contemporâneo, já o considerava como um gênio “não apenas de sua época, mas de todos os tempos.” Esse prognóstico confirmou-se. Pela universalidade de suas obras, Shakespeare transcende os limites da literatura inglesa, sendo conhecido como um dos maiores, senão o maior, dramaturgos e poetas de todo o mundo.
A obra dramática de Shakespeare soube associar uma visão poética e refinada (bem ao gosto da corte e dos aristocratas) a um forte caráter popular, que se expressa com a introdução nos textos das peças, mesmo das mais sérias, de episódios burlescos e até mesmo de expressões chulas, trocadilhos, invenções bizarras e melodramáticas. Shakespeare foi um dos maiores responsáveis pela popularização do teatro em Londres. Para isso adotou recursos como o de eliminar a distância entre atores e público (o palco avançava até o meio da platéia) e o de adaptar temas antigos, como os de Roma de Sêneca, à vida cotidiana de Londres.
Como talvez nenhum outro artista, Shakespeare conhece toda a escala de sentimentos humanos e representa todas as emoções da existência. Por isso seus protagonistas e enredos se tornaram parte integrante da mitologia universal. Tão rico é o universo shakesperiano, que é sempre possível, em qualquer situação de nossa vida, encontrar, na sua vasta obra, uma frase, um texto, um diálogo ou um trecho de poesia que tenha o poder de expressar nossos sentimentos e nossas sensações.
OUtra característica importante da obra de Shakespeare é a contribuição que ele deu para o enriquecimento da língua inglesa. Inconformado com os vocábulos já consagrados, que não eram suficientes para expressar exatamente o que ele queria dizer, Shakespeare não teve dúvidas em inventar diversas palavras, muitas delas onomatopaicas. Assim conseguiu dar o tom desejado e as descrições de lugares, expressões fisionômicas, desenrolar de batalhas.
Os poemas de Shakespeare, bem menos conhecidos do público do que suas consagradas peças, revelam o mesmo lirismo brilhante e ousado de toda a sua obra. O soneto que escolhemos é uma amostra dessa afirmação. E é também uma prova do que dizia Ben Jonson: um poema de amor, escrito no final do século XVI, é capaz de despertar em nós a mesma emoção que deve ter causado aos contemporâneos do autor.
