
Indicadores oficiais divulgados ao longo de 2025 e do início de 2026 apontam uma economia brasileira marcada por queda recorde do desemprego, expansão consistente do emprego, desaceleração da inflação, crescimento da renda e valorização sucessiva do mercado financeiro.
“A economia brasileira terminou 2025 mais forte do que antes, com indicadores que contrariaram expectativas pessimistas e demonstram resiliência e capacidade de recuperação”, afirmou o presidente Lula em mensagem ao Congresso Nacionalna sessão de reabertura dos trabalhos legislativos em 2 de fevereiro de 2026.
“As profecias de estagnação e inflação descontrolada aconteceram justamente o contrário: o Brasil chegou ao fim de 2025 mais forte do que nunca”, disse.
Os dados, publicados por órgãos como o IBGE, o Banco Central e a B3, mostram um quadro de fortalecimento da atividade econômica em meio a um ambiente ainda restritivo de juros, mas com sinalização clara de inflexão na política monetária.
Segundo o IBGE, a taxa de desemprego caiu para 5,1% em dezembro de 2025, o menor nível desde o início da série histórica da PNAD Contínua, em 2012. Trata-se do patamar mais baixo já registrado no país, resultado de um processo contínuo de criação de postos de trabalho ao longo do ano.
No mesmo período, o número de pessoas ocupadas ultrapassou 103 milhões, também o maior da série, refletindo crescimento tanto do emprego formal quanto da ocupação total.
O dado marca um ponto de inflexão relevante no mercado de trabalho brasileiro. Além da redução da desocupação, o país passou a registrar maior estabilidade na renda, avanço do emprego com carteira assinada e queda da informalidade em diversos setores, segundo os levantamentos oficiais.Emprego, renda e salário mínimo
A melhora no mercado de trabalho foi acompanhada por ganhos reais de renda, impulsionados por políticas de valorização do salário mínimo e pela recuperação gradual do poder de compra. Desde janeiro de 2026, o salário mínimo passou a ser de R$ 1.621, conforme anunciado pelo governo federal, incorporando a variação da inflação medida pelo INPC e o crescimento econômico, de acordo com a regra vigente.
O ministro da Fazenda, Haddad, ressaltou essa interação entre política econômica e expectativas: “Essa ideia [da isenção do IR até R$ 5 mil] realmente ganhou corpo e a opinião pública… começou a colocar o dedo num problema grave do Brasil, que é o problema da desigualdade”, disse ele sobre a proposta de política tributária em outubro de 2025, destacando consenso político e apoio social à medida que amplia a renda dos trabalhadores.
O aumento do salário mínimo tem impacto direto sobre milhões de trabalhadores, aposentados e beneficiários de políticas sociais, além de funcionar como indutor do consumo interno, especialmente em regiões de menor renda. Do ponto de vista econômico, o crescimento da massa salarial amplia a circulação de recursos na economia, fortalece o comércio e os serviços e contribui para sustentar a atividade produtiva.
No mercado de trabalho formal, os dados também indicam elevação do salário médio de entrada, reflexo da maior demanda por mão de obra em setores como serviços, comércio, indústria e construção. A combinação entre emprego em alta e renda mais robusta passou a se refletir em maior previsibilidade no orçamento das famílias.
Corte da Selic
Apesar da melhora nos indicadores, a economia brasileira atravessou 2025 sob uma das maiores taxas de juros reais do mundo. A Selic foi mantida em 15% ao ano, decisão reiterada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, com o argumento de ancorar as expectativas inflacionárias.
A manutenção dos juros elevados gerou reações do setor produtivo. Reportagens da Agência Brasil registraram manifestações de entidades empresariais apontando os efeitos restritivos do crédito sobre investimentos e crescimento. Ao mesmo tempo, o próprio Banco Central confirmou, nesta semana, que o ciclo de corte da Selic deve começar em março, ainda que com a manutenção de uma política monetária considerada restritiva.
A sinalização foi recebida positivamente pelo mercado financeiro, que passou a incorporar a expectativa de redução gradual dos juros nos próximos meses.
Inflação em trajetória de queda
Outro eixo central do desempenho econômico recente é o comportamento da inflação. Ao longo de 2025, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) apresentou desaceleração progressiva, movimento que se manteve no início de 2026. Segundo o Boletim Focus, divulgado semanalmente pelo Banco Central, o mercado reduziu sucessivamente suas projeções para a inflação deste ano.
Em fevereiro de 2026, a estimativa para o IPCA caiu para 3,99%, após uma sequência contínua de revisões para baixo nas semanas anteriores, conforme dados divulgados pelo Banco Central. A prévia da inflação oficial de janeiro, o IPCA-15, registrou alta de apenas 0,20%, indicando perda de força das pressões inflacionárias no início do ano.
A desaceleração dos preços ocorre em um contexto de controle dos custos, redução das pressões externas e fortalecimento do real em determinados momentos, além do impacto defasado da política monetária restritiva.
Bolsa em recordes históricos sucessivos
O movimento de melhora das expectativas se refletiu de forma direta no mercado de capitais. Ao longo de janeiro de 2026, a Bolsa de Valores brasileira (B3) registrou uma sequência de recordes históricos, com o Ibovespa superando sucessivamente os patamares de 175 mil pontos, 178 mil pontos e, posteriormente, 184 mil pontos, conforme dados divulgados pela Agência Brasil.
Os recordes foram impulsionados pela entrada de capital estrangeiro, pela percepção de maior estabilidade macroeconômica e pela expectativa de redução dos juros. A valorização do mercado acionário indica confiança dos investidores no desempenho das empresas e na trajetória da economia brasileira no médio prazo.
Exportações, indústria e produção
No setor externo, os dados também são positivos. As exportações de serviços bateram recorde em 2025, alcançando US$ 51,8 bilhões, segundo números oficiais. O resultado reflete a diversificação da pauta exportadora e o fortalecimento de segmentos como tecnologia, serviços empresariais, turismo e economia criativa.
Na indústria, embora o desempenho tenha sido pressionado pelos juros elevados, o setor fechou 2025 com crescimento de 0,6%, conforme dados divulgados pela Agência Brasil. Já a produção de petróleo e gás cresceu 13,3% em 2025, atingindo o maior nível da série histórica, reforçando a relevância do setor energético na balança comercial e na arrecadação.
O comportamento do câmbio também contribuiu para o ambiente de maior estabilidade. Em janeiro de 2026, o dólar chegou a R$ 5,19, o menor valor em 20 meses até então, segundo dados oficiais. A valorização do real ajuda a reduzir pressões inflacionárias sobre produtos importados e insumos industriais.
O conjunto dos indicadores oficiais aponta que a economia brasileira entra em 2026 com emprego em alta, desemprego em mínima histórica, inflação em desaceleração, renda em crescimento e mercado financeiro valorizado, mesmo diante de um cenário ainda desafiador do ponto de vista monetário.
Os números, divulgados por órgãos oficiais ao longo dos últimos meses, desenham um quadro de recuperação consistente, sustentada por dados objetivos e pela melhora das expectativas, enquanto o debate sobre juros, investimentos e crescimento segue no centro da agenda econômica.
