Equipes de resgate entraram no segundo dia de buscas e atendimentos; foram registradas 55 mortes, em Juiz de Fora e Ubá; mais de 3 mil estão desabrigadas

Dados atualizados às 18h30 de 26/02/2026
Após as fortes chuvas que atingiram a Zona da Mata mineira na segunda-feira (23), ao menos 55 pessoas morreram e 33 estão desaparecidas, segundo o Governo de Minas Gerais. Ao menos 3 mil pessoas estão desabrigadas, de acordo com a Defesa Civil.
Ao todo, são oito frentes de trabalho em atuação, sendo seis em Juiz de Fora e duas em Ubá, com operações ininterruptas de busca e salvamento.

Em Juiz de Fora, o número de mortos chega a 49, com 11 pessoas ainda desaparecidas. Ao todo, 3 mil moradores estão desalojados e não há registro de desabrigados até o momento.
Em Ubá, foram confirmadas seis mortes e duas pessoas continuam desaparecidas. O município contabiliza 1,2 mil desalojados e 500 desabrigados.
Em Matias Barbosa, não há registro de mortes nem de desaparecidos. A cidade soma 810 desalojados e, até agora, não há desabrigados.
As aulas foram suspensas nas duas cidades, e quatro escolas da região são utilizadas como abrigo e ponto de apoio para o atendimento da população atingida.
As prefeituras de Juiz de Fora, Ubá e Matias Barbosa decretaram estado de calamidade. O decreto facilita o recebimento de recursos federais e estaduais e fica vigente por 180 dias. Com a queda de árvores e alagamentos, a Cemig informou ter dificuldade para restabelecer a energia elétrica em alguns pontos.
“É uma situação dificílima”, disse a prefeita de Juiz de Fora, Margarida Salomão. Em suas redes sociais, ela afirmou que a ocasião foi “o dia mais triste” da gestão devido às mortes registradas em decorrência dos eventos climáticos.
Ajuda humanitária
O site Para Quem Doar reúne uma lista de organizações confiáveis que atuam diretamente na região atingida. Todas as instituições são cadastradas e possuem dados seguros para que o doador não caia em golpes ou fraudes.
As autoridades alertaram para o aumento de tentativas de golpes via PIX e campanhas falsas que utilizam a tragédia para arrecadar recursos de forma criminosa. “Diante de uma tragédia, infelizmente há quem tente se aproveitar da boa-fé das pessoas”, afirmou o governador Romeu Zema, ao enfatizar que as doações devem ser realizadas apenas nos canais oficiais divulgados pelo governo estadual.
As doações financeiras devem ser feitas exclusivamente por meio da campanha oficial SOS Águas, coordenada pelo Servas.
O governo informou ainda que doações de alimentos, água, produtos de higiene e roupas podem ser entregues à Defesa Civil de Minas Gerais. No entanto, não é necessário enviar donativos diretamente para Juiz de Fora, pois a situação de abastecimento emergencial no município está sob controle.
Celular para localização
A operação envolve uma força-tarefa integrada por equipes terceirizadas da prefeitura, que atuam com retroescavadeira e caminhão, além de técnicos da Anatel, responsáveis pelo rastreamento de sinais de celular na tentativa de localizar possíveis vítimas sob os escombros.
A equipe do canil de Varginha também está no local, auxiliando nas buscas. Neste momento, os militares concentram esforços em uma área previamente demarcada como de interesse pelas equipes de cães farejadores e pela Anatel.
O efetivo do 12º BBM é formado por oito militares, divididos em duas equipes: quatro atuam no período diurno e quatro no noturno. O sistema de revezamento garante que os trabalhos ocorram 24 horas por dia, de forma contínua e coordenada em todas as frentes de atuação.

Transbordamento do Rio Paraibuna
Em Juiz de Fora, o Rio Paraibuna transbordou após o volume de chuva ultrapassar 100 milímetros em apenas seis horas, provocando deslizamentos, desabamentos e inundações. Segundo o tenente Pedro Aihara, porta-voz do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais, “em poucas horas, foram mais de 40 chamadas emergenciais envolvendo vias bloqueadas, moradores ilhados e casas atingidas”.
De acordo com o oficial, o Corpo de Bombeiros foi acionado para atender ocorrências de soterramentos e risco estrutural em encostas e áreas próximas ao rio. “Além das equipes da nossa corporação que já atuam na região, deslocamos no início da madrugada deste dia 24 de fevereiro equipes do batalhão de emergências ambientais em resposta a desastres”, afirmou.
“Diante de qualquer suspeita de movimentação do terreno, saia imediatamente e busque um local seguro. Em caso de emergência, acione o Corpo de Bombeiros Militar pelo número 193”, orientou o tenente.
Em seis horas, o volume de chuva ultrapassou 100 milímetros em alguns pontos, provocando deslizamentos, desabamentos e o transbordamento do rio Paraibuna.
Planalto aciona apoio
Durante a passagem por Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ligou para a prefeita de Juiz de Fora, Margarida Salomão, prestando solidariedade e oferecendo apoio federal.
“Nas próximas horas – e dias – seguiremos de prontidão para agir com a velocidade e a força que o momento exige. Nosso foco é garantir a assistência humanitária, o restabelecimento dos serviços básicos, o auxílio às pessoas desabrigadas e o suporte à reconstrução”, escreveu o presidente em suas redes sociais. “Quero enviar meus profundos sentimentos às famílias que perderam seus lares e, o que é pior, os seus entes queridos. E me solidarizar com as autoridades e forças de segurança mineiras que estão trabalhando no resgate e no atendimento imediato à população prejudicada pela chuva”, concluiu.
O ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, informou que equipes da Defesa Civil Nacional estão se dirigindo à região de Juiz de Fora para atuar em conjunto com as autoridades locais.
O secretário nacional de Defesa Civil, Wolnei Wolff, também segue para Minas Gerais nesta terça-feira. “Neste momento, a prioridade da Defesa Civil Nacional está concentrada nas ações de socorro às populações afetadas. Além disso, o órgão atua na orientação das etapas de reconhecimento federal e de resposta ao desastre nos demais municípios atingidos”, diz nota do governo.
Alerta se estende até sexta
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu alerta laranja para chuvas intensas em 11 unidades da federação com validade até sexta-feira (27): São Paulo, Distrito Federal, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Goiás, Espírito Santo, Bahia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins e Piauí.
O alerta laranja indica perigo e é o grau intermediário entre os três avisos emitidos pelo instituto: amarelo, para perigo potencial; laranja, para perigo; e vermelho, para grande perigo.
De acordo com meteorologistas, o que ocorreu na Zona da Mata mineira foi uma supercélula, sistema de tempestade de grande desenvolvimento vertical. Em 72 horas, os volumes variaram entre 205 e 230 milímetros, patamar que supera a média histórica mensal da região, que gira entre 170 e 200 milímetros.
Litoral de São Paulo
No estado de São Paulo, a maior parte do território terá um clima seco e estável, exceto pela região litorânea, que deve apresentar chuvas regulares e acumulados acima de 50 milímetros (mm).
Segundo a Defesa Civil do estado, os riscos que a chuva traz são muito altos nas regiões do Vale do Ribeira, na Baixada Santista, no Litoral Sul e Norte. As cidades de Peruíbe e Ubatuba, já bastante atingidas pelas chuvas nos últimos dias, continuam sob risco.
Nesta última semana, o acúmulo de chuva gerou enormes complicações no estado de São Paulo, especialmente no litoral. Em Peruíbe, mais de 300 pessoas ficaram desabrigadas e outras 100 foram desalojadas após o município atingir 56 milímetros (mm) de água acumulada em 12 horas.
Na última segunda (23), Mongaguá teve cerca de 800 imóveis afetados com o transbordamento de rios e inundação de diversas ruas. Em Ubatuba, duas pessoas morreram em um naufrágio devido ao clima adverso, que registrou um volume de chuva equivalente à média histórica de todo o mês de fevereiro.
Também na segunda, as Rodovias Oswaldo Cruz e Tamoios tiveram trechos interditados devido à queda de objetos na via e excesso de chuva, que superou 100 mm.
