Vítimas dos deslizamentos e enchentes se concentram nas cidades de Juiz de Fora e Ubá; Governo Federal amplia ações de suporte à população
Corpo de Bombeiros de MG em trabalho de resgate às vítimas (Foto:Tânia Rêgo/Agência Brasil)
Os deslizamentos e enchentes causados pelas fortes chuvas que atingem a Zona da Mata de Minas Gerais desde segunda-feira (23) já causaram 64 mortes (58 em Juiz de Fora e seis em Ubá), além de 4 mil desabrigados, segundo o Corpo de Bombeiros de Minas Gerais (CBMG) na manhã desta sexta-feira (27).
Ao menos outras três pessoas seguem desaparecidas.
As condições metereológicas para os próximos dias geram novas preocupações. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) a previsão é de novas chuvas intensas até às 23h59 desta sexta-feira (27) e ventos que podem chegar a 100 km/h. Há grande risco de corte de energia elétrica, queda de árvores, deslizamentos e alagamentos.
O instituto informa que fevereiro de 2026 é um dos meses mais chuvosos dos últimos anos em Minas Gerais, principalmente nas regiões Centro-Sul e Oeste do estado. No Noroeste e Norte do estado, nas regiões de Jequitinhonha e Mucuri, as chuvas foram menos recorrentes, mas o total de chuva, até o momento, já superou a média para o mês.
O principal destaque é Juiz de Fora, que registrou, apenas entre os dias 22 e 24, total de chuva de 229,9 milímetros (mm). No mês, até a manhã da terça-feira (24), o acumulado de chuvas na cidade é de 579,3 mm, volume 240% acima da média climatológica de fevereiro: 170,3 mm.
A prefeita de Juiz de Fora (MG), Margarida Salomão, afirmou, nesta sexta-feira (27), que uma em cada quatro pessoas da cidade mora em área de risco e que é preciso fazer intervenções por todo o município para evitar novas tragédias. Além disso, especialistas têm alertado que a tragédia vai muito além da força das águas: é resultado direto da negligência humana e do corte de verbas destinadas à prevenção. Para se ter ideia, o governador Romeu Zema reduziu em 96% (R$ 135 milhões para R$6 milhões) a verba para a realização de obras que poderiam ter reduzido os impactos das chuvas em MG.
Ações do Governo Federal
Na terça-feira (24) o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, fez um balanço das ações do Governo do Brasil. “A primeira tarefa é sempre salvar vidas. A primeira tarefa é a Defesa, as Forças Armadas, a logística, tropa, viatura, apoio ao Corpo de Bombeiros, à Saúde e à equipe da Força Nacional do SUS. É salvar vidas. Depois, abrigar quem está desabrigado. Então, vamos fazer todo esse trabalho. E a gente faz muito integrado com as prefeituras e com o governo do Estado. Em seguida, é recuperar, ajudar as famílias a se recuperarem e também a infraestrutura dos municípios”, apontou.
Alckmin também destacou que o Ministério do Desenvolvimento Social liberará recursos de R$ 800 por pessoa desabrigada. “Nós temos centenas de pessoas desabrigadas. Por isso, destinamos esse valor para a prefeitura comprar colchão, mantimento, roupa, enfim, para apoiar. Para as famílias, será antecipado o pagamento do Bolsa Família e do BPC”.
Outra ação do Governo Federal, por meio do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, foi a liberação de mais R$ 2 milhões para as cidades. Com isso, até o momento, já são R$ 5,4 milhões para o estado investir em ações de resposta imediata aos efeitos das chuvas e enchentes.
A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) também anunciou medidas relativas à cobrança da dívida ativa da União para contribuintes de municípios da Zona da Mata. A principal delas é a prorrogação do vencimento de parcelas de programas de negociação administrados pela Procuradoria. Os pagamentos com vencimento original em fevereiro de 2026 foram postergados para 30 de maio. Já as parcelas que venceriam em março de 2026 poderão ser quitadas até 29 de junho. A prorrogação não se aplica a débitos do Simples Nacional, que serão tratados por ato do comitê gestor.
Saque do FGTS
A partir desta sexta-feira (27), moradores das cidades de Juiz de Fora, Matias Barbosa e Ubá – cidades mineiras afetadas pelos temporais – também poderão solicitar o saque do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). O valor a ser retirado é limitado a R$ 6.220.
De acordo com a Caixa, a solicitação pode ser feita pelo Aplicativo FGTS.
É necessário ter saldo na conta do FGTS e não ter feito saque pelo mesmo motivo (calamidade) em menos de 12 meses.
Doações
A Caixa informou que, junto com a ONG Moradia e Cidadania, irá arrecadar recursos para famílias afetadas pelos temporais. As doações podem ser feitas por meio de depósito em conta ou Pix (Chave: 31999910733).
O site Para Quem Doar é outra opção para quem quer ajudar as vítimas. Nele há uma lista de organizações confiáveis que atuam diretamente na região atingida. Todas as instituições são cadastradas e possuem dados seguros para que o doador não caia em golpes ou fraudes.
As doações financeiras também podemser feitas exclusivamente por meio da campanha oficial SOS Águas, coordenada pelo Servas.
