Uma vez, nas minhas inúmeras conversas com Waldir Pires, ouvi uma lição, jamais esquecida: a democracia ainda não se realizou no mundo. Acrescentou: e nós não podemos deixar de persegui-la. Era um utópico, o querido Waldir. No melhor sentido emprestado à ideia da utopia. Lembrada por Eduardo Galeano: a gente vive sempre a correr atrás dela, sempre à nossa frente. Damos um passo, ela dá dois à frente.
Pra que serve a utopia? Para que sigamos a caminhada em direção a um mundo justo. Em Waldir, cujo centenário de nascimento é comemorado neste outubro, democracia só podia ser compreendida como realidade se pudesse combinar respeito às liberdades com o direito das pessoas ao bem-viver. Estado democrático de direito só podia ser pensado assim, não como um regime de eleições, como ele gostava de repetir.
De alguma forma, e ele haveria de perdoar essa ousadia minha, era uma visão comunista, a pretender chegar, na conquista da democracia, nunca realizada, à realização da fórmula de Marx, expressa na Crítica do Programa de Gotha: de cada qual, segundo sua capacidade, a cada qual, segundo suas necessidades.
Nada de nenhum igualitarismo, por si mesmo injusto. Todos contribuindo com suas específicas qualidades, ao trabalhar para a sociedade, e recebendo em troca o necessário, de acordo com as singularidades de cada qual, o imprescindível ao bem-viver. Aí estaria a realização da democracia, em amplo e mais profundo sentido. A lembrança de Waldir me veio ao pensar em Salvador Allende, um herói trágico, obstinado defensor da democracia como caminho para a conquista do socialismo.
A data de 11 de Setembro carrega o simbolismo de dois acontecimentos a marcar a história: o episódio das Torres Gêmeas, em Nova Iorque, com milhares de mortes, a fixar na sequência um novo e agressivo modo de existência do imperialismo, e o golpe sangrento do Chile, inclusive com o bombardeio do Palácio La Moneda, sucedendo-se uma ditadura a prender, matar, torturar milhares de pessoas, e a perdurar por pelo menos dezessete anos.
Nesse texto, a pretensão de lembrar o 11 de Setembro chileno, de modo especial, não deixar morrer a memória de Salvador Allende, a quem poderíamos denominar, desculpem a ousadia, um dos primeiros e consequentes gramscianos, a acreditar na luta pela hegemonia, busca permanente do consenso no decurso sempre da incessante batalha pela democracia, em busca da construção do socialismo.
As convicções profundamente democráticas de Allende não lhe permitiam pensar a chegada ao socialismo senão pelo caminho democrático, palmilhando o duro e incessante diálogo com o povo, buscando a construção de uma nova hegemonia. Aqui, encontram-se ele e Waldir Pires. Os dois, cada um a seu modo, cultivaram essa utopia: construir uma sociedade de bem-estar fundada no Estado democrático de direito. Não transigiram quanto a isto. Nunca.
Não pretendo analisar o governo da Unidade Popular. A pretensão é de apenas acompanhar os últimos momentos de Allende, um herói trágico, como disse. Mais de meio século passado, 53 anos neste 11 de setembro.
A voz de Allende ressoa.
Nos alcança nos dias atuais.
A voz de um revolucionário consciente, capaz de imolar-se para deixar uma lição imorredoura: a luta é longa, e os caminhos da luta pelo socialismo democrático são sinuosos, sem linha reta, como a própria história chilena tem comprovado, com avanços e recuos – recentemente sob uma vitória da extrema direita. Veredas acidentadas, as da luta pelo socialismo e democracia.
Ao olhar para trás, para aquele 11 de setembro, é possível indagar das razões pelas quais Salvador Allende recusa deixar o palácio presidencial. Por que ele não aceita a proposta de sair num avião ofertado pelos militares golpistas, por que não aceita garantir a sobrevivência?
Navegar é preciso, viver não é preciso: Allende parecia ouvir Pessoa e Pompeu, e se perguntar, naquela encruzilhada, para que serviria a vida se seguida por uma rendição?
Viver nunca foi preciso, nunca teve linha reta.
E os compromissos com o povo chileno? Como desfazer-se deles? Nunca o faria.
Navegar é preciso, viver não é preciso.
Momento da celebração da dignidade revolucionária de um homem diante da história – o Chile e a América Latina celebram Allende, devem celebrar.
O único instrumento de Allende, no La Moneda cercado, era a Rádio Magallanes. Fundada em agosto de 1957 pelo Partido Comunista chileno, foi, durante o governo da Unidade Popular, cabeça de rede de várias outras emissoras defensoras do projeto do socialismo democrático.
Conseguiu transmitir o último discurso do presidente, e às 10:20 horas do fatídico 11 de setembro teve encerradas as transmissões pelo golpe em andamento. Nos dois dias seguintes, jornalistas e operadores salvaram o discurso em áudio, fizeram quarenta cópias, e ele hoje faz parte da história.
Da Rádio Magallanes, ouvimos, nítida, a palavra dele, parte final daquele discurso histórico:
– Dirijo-me ao homem do Chile, ao operário, ao camponês, ao intelectual, àqueles que serão perseguidos porque no nosso país o fascismo já esteve muitas horas presente: nos atentados terroristas, voando as pontes, cortando as linhas férreas¸ destruindo os oleodutos e os gasodutos, contra o silêncio dos que tinham a obrigação de se pronunciar.
Não, não seria ele a silenciar diante do fascismo, hoje a nos rondar novamente em tantas partes do mundo, e de modo especial na América Latina, sob o impulso nada dissimulado do imperialismo norte-americano, um perigoso império em decadência. Ele sentenciava:
– A História irá julgá-los.
Sabia disso. Os fascistas, no Chile, vários deles, foram julgados, tardiamente seja. Cito um caso. No dia 29 de agosto de 2023, o Ministério Público chileno informava: o general da reserva Hernán Chacón cometeu suicídio momentos antes de ser preso por crimes cometidos durante a ditadura militar.
Aos 85 anos de idade, Chacón fora condenado juntamente com outros militares reformados – Raúl Jofre, Edwin Dimter, Nelson Haase, Ernesto Bethke e Juan Jara – a quinze anos de prisão pelo assassinato do cantor e compositor Víctor Jara, e mais dez anos pelo sequestro do artista, ocorrido cinco dias após o golpe de Estado de Augusto Pinochet. Jara foi morto com ao menos 45 disparos. A polícia foi à casa de Chacón para levá-lo a cumprir a sentença. Ele pediu para ir ao quarto para buscar remédios, e então se matou.
Ouvimos Allende, cuja voz jamais será esquecida:
– Certamente, a Rádio Magallanes será calada e o metal tranquilo da minha voz não chegará até vocês. Não importa. Continuarão me ouvindo. Estarei sempre junto com vocês. Minha memória será a de um homem digno, de um homem que foi leal.
Esta, a memória cultivada de Allende. Capaz de olhar nos olhos de seu povo com sabedoria e compaixão.
– O povo deve defender-se, mas não sacrificar-se.
Não queria o massacre, não pretendia murros em ponta de faca. Mas não queria também um povo submisso:
– O povo não deve deixar-se arrasar nem abater, não pode humilhar-se.
Faz questão de manter a esperança:
– Trabalhadores da minha pátria: tenho fé no Chile, no seu destino. Outros homens superarão este momento cinzento e amargo onde a traição pretende se impor.
O profeta, o político revolucionário, a conclamar o povo:
– Continuem vocês. Sabendo que muito mais cedo do que tarde, de novo se abrirão as grandes alamedas por onde o homem livre passará para construir uma sociedade melhor. Viva Chile! Viva o povo! Viva os trabalhadores!
Proclamava:
– Estas são minhas últimas palavras.
Plena consciência do papel, do significado do sacrifício dele, inevitável salvo se pagasse o preço da rendição:
– Tenho certeza de que meu sacrifício não será em vão. Tenho a certeza de que será pelo menos uma lição moral que punirá o crime, a covardia e a traição.
Naquele dia, gente do Partido Socialista chega ao La Moneda cercado para perguntar a Allende o que fazer, e ele responde secamente:
– Eu sei qual o meu lugar e o que tenho de fazer.
Era um homem determinado, a seguir princípios de uma alma comprometida com a história e com seu povo. Ao dizer sei qual o meu lugar e o que tenho de fazer dava um último recado, inclusive aos companheiros próximos.
Andava irritado com os partidos da Unidade Popular, de modo especial com o Partido Socialista. Haviam se oposto à convocação do plebiscito, com o qual pretendia aliviar tensões, desanuviar o ambiente político.
Que não tivessem dúvida: iria enfrentar o golpe até as últimas consequências. Do La Moneda, só o tirariam morto. Ainda, pouco depois das nove horas da manhã daquele 11 de setembro de 1973, dirige-se novamente ao povo chileno pela Rádio Magallanes.
– Pode ser que nos destruam. Que saibam, no entanto, que aqui estamos pelo menos com nosso exemplo, que neste país há homens que sabem cumprir com a obrigação que têm.
Um homem, ele dirá, a cumprir um mandato conferido pelo povo.
– Mandato consciente de um Presidente que tem a dignidade do cargo a ele entregue pelo seu povo em eleições livres e democráticas.
Não vacila, insiste:
– Pagarei com minha vida a defesa dos princípios que são caros a esta pátria.
Nos céus, os aviões.
La Moneda, implacavelmente cercado por tanques.
O general Ernesto Baeza, secretário do Exército, fala com Allende: quer dele rendição imediata. Faz uma proposta: poderão, ele e família, sair do país, em avião ofertado pelos golpistas. Outra e mais uma vez, não hesita:
– A responsabilidade é de vocês. Passarão à história como assassinos do presidente da República.
Antes do final do discurso à Rádio Magallanes, Allende, na fala dele, dirá serenamente:
– A Força Aérea bombardeou as torres da Rádio Portales e da Rádio Corporación. Minhas palavras não têm amargura, senão decepção. E serão elas o castigo moral para os que traíram o juramento feito por soldados do Chile, comandantes-em-chefe titulares, o almirante Merino, que se autodesignou comandante da Armada, o senhor Mendonza, general indigno, que ontem manifestava fidelidade e lealdade ao [nosso] governo, e se denominou Diretor dos Carabineiros.
Reafirmava:
– Não vou renunciar. Colocado em um trânsito histórico, pagarei com minha vida a lealdade ao povo. Eu lhes digo: tenho a certeza de que a semente que entregamos à consciência digna de milhares e milhares de chilenos não poderá ser ceifada de modo definitivo.
Confiança na luta do povo:
– Os processos sociais não se detêm nem com o crime nem com a força. A História é nossa. E é feita pelos povos.
Antes do final do discurso, Allende agradece à lealdade dos trabalhadores, agradece à confiança depositada “em um homem que só foi intérprete de grandes anseios de justiça”:
– Que empenhou sua palavra de que respeitaria a Constituição e a lei¸ e que assim o fez.
Analisa:
– O capital estrangeiro, o imperialismo unido à reação, criou o clima para que as Forças Armadas rompessem a tradição delas, assinalada por Schneider, reafirmada pelo comandante Araya.
Rechaça intransigentemente a oferta do avião para ir embora para o exterior com a família. Na última tentativa dos golpistas, foi categórico ao responder ao general-aviador Gabriel van Schowen:
– O presidente do Chile não aceita avião. Que os militares saibam comportar-se como soldados, que eu saberei agir como presidente da República.
A palavra repleta de coragem e dignidade, a dizer se respeitem, eu nunca deixarei de agir como presidente da República, como detentor de um mandato conferido pelo povo.
O som ininterrupto de disparos de metralhadoras, artilharia pesada, movimentação de tanques em volta do La Moneda.
Allende conversa pelo telefone com o almirante Patrício Carvajal, coordenador das operações militares, chefe do Estado-Maior. Faz um pedido: autorize a saída das pessoas que estão no La Moneda. Obtém dois minutos de trégua, isso mesmo: dois minutos.
Força a saída das filhas Isabel e Beatriz, das jornalistas Verônica Ahumada, Frida Modack e Cecília Tormos, e algumas outras mulheres, além do pessoal de serviço e cozinha.
Teve de se esforçar muito para a saída do assessor Joan Garcés, praticamente ordenar: por ser espanhol, corria risco duplo, se preso. Golpe vitorioso, e haveria uma combinação explosiva com o franquismo, ainda vigente em Espanha. Garcés, a muito custo, aceitou sair.
Depois, praticamente determinou a todas as pessoas não comprometidas a lutar, aquelas sem armas ou sem capacidade de disparar, portadoras de alguma enfermidade ou deficiência física ou qualquer problema a impedi-las de combater – todas deviam abandonar o palácio, e se salvar.
Ordenou aos militares, ajudantes de ordem dele: saíssem de La Moneda e voltassem às suas instituições. Atitude de um líder, comandante: salvar a todos aqueles que pudessem ser salvos.
Ao final, restavam no La Moneda, lado a lado com Allende, em torno de quarenta pessoas, dispostas a matar e morrer, fidelidade incondicional, só possível de ser testada em horas como aquela.
Um ou outro médico, um pequeno grupo de militantes do Partido Socialista e membros do Grupo de Amigos Pessoais (GAP), guarda pessoal constituída pelo Partido Socialista do Chile, mantida entre 1970 e 1973 para proteção do presidente.
Allende havia ordenado ao general José Sepúlveda, leal a ele até o fim, que entregasse armas a todas as pessoas capazes de defender La Moneda.
Cubanos lotados na Embaixada de Cuba entraram em contato com Allende: queriam combater ao lado dele. Na embaixada, havia um grande depósito de armamentos em um subterrâneo de 120 metros quadrados, ao lado de uma sala de operações, tudo preparado para um combate considerado inevitável por eles.
Jamais acreditaram ser possível implantar o socialismo com “vino e empanadas”, como diziam. Oferta recusada: não interviessem em um conflito considerado estritamente chileno por ele. Assim era Allende.
A disparidade de forças, absurda. Apesar da palavra-de-ordem da Unidade Popular de não oferecer resistência, combates ocorriam em toda Santiago.
Franco atiradores do GAP operavam em frente ao La Moneda.
A Junta Militar golpista decretou lei marcial: qualquer pessoa, fosse pega com armas nas mãos, morta impiedosamente. Generais golpistas fizeram um outro ultimatum: Allende se rendesse ou abandonasse La Moneda.
Allende rechaça o ultimatum.
O presidente toma conhecimento de bombardeios sobre as populações da periferia de Santiago: golpistas já haviam metralhado o acampamento Che Guevara e o Hospital Barros Luco e as poblaciones La Legua e La Victoria.
Allende ainda faz um esforço para evitar a matança.
Queria salvar vidas: envia os ministros Daniel Vergara, Fernando Flores e o secretário particular Osvaldo Puccio para parlamentar com os militares. Cessassem os bombardeios e se constituísse um governo com civis e respeito às conquistas sociais. Os três, presos.
Golpistas só aceitavam rendição incondicional, novamente repelida.
Allende não acreditava que as Forças Armadas determinassem o bombardeio do La Moneda.
Estava enganado.
Ao meio-dia, sessenta minutos após o prazo dado para a rendição, os aviões Hawker Hunter sobrevoaram o La Moneda e lançaram duas bombas de cinquenta quilos, estremecendo a terra, estraçalhando vidraças, lustres despencando do teto.
Durante meia hora o bombardeio prosseguiu, implacável.
Fascismo em fúria, sedento de sangue.
A cadela do fascismo sempre está no cio – Brecht sempre com a razão. Viva a morte! – ecos de um tempo considerado morto: estava ali, vivo.
Às 12:30, La Moneda ardia em chamas.
À frente do palácio, catorze tanques, dezenas de canhões, bazucas, morteiros, metralhadoras e fuzis disparavam sem cessar.
Inferno.
Importava ao golpe tirar Allende da frente, a qualquer custo. Impor a rendição incondicional. Ou matar todos no La Moneda. Os golpistas pagariam qualquer preço. Fariam correr um rio de sangue, como fizeram.
Augusto Olivares, notável jornalista, assessor de imprensa de Allende, diretor da Televisão Nacional do Chile durante o governo da Unidade Popular, ao dar-se conta da impossibilidade de resistência, é o primeiro a se imolar: suicida-se.
Allende, de modo a evitar mais mortes, considerando a fuzilaria incessante, massacre em andamento, determina de modo vigoroso a saída e a rendição dos militantes do GAP e de todas as demais pessoas presentes no La Moneda.
Ordem para todos.
Ele ficaria.
Na cabeça, o suicídio de Getúlio, episódio de que sempre se lembrava.
Está só, no La Moneda.
Irremediavelmente só.
Escolha.
Entre escombros, fogo, muita fumaça, explosões.
Escuridão.
O belo La Moneda, um breu.
Ele e seu destino.
Ouvira, pelo telefone interceptado do Estado-Maior, a palavra do general Baeza, com quem falara várias vezes:
– Teremos que matá-los como formigas. Que não reste nem rastro de nenhum deles, em especial de Allende.
Por que dar aos golpistas o gosto de matá-lo como a um cão, como a uma formiga?
Não daria.
Às 14 horas, o general Javier Palacios, comandante do cerco ao La Moneda, dá ordens à tropa de entrar no palácio.
Palacios depara no segundo andar, Salão Independência, com Allende morto.
Jazia sobre dois almofadões, num sofá vermelho.
Na parede, o quadro a óleo de Fray Pedro Subercaseaux: representava o momento da proclamação da independência do Chile, em 18 de setembro de 1810.
Sobre o corpo, um AK-47, fuzil com o qual combatera durante todo o cerco.
Recupero palavras do grande Luiz Alberto Moniz Bandeira:
– Salvador Allende era uma alma forte e generosa. E como um homem ético, tornou-se um herói trágico. Havia renunciado a si mesmo para expressar o geral, e imolou-se como um cavaleiro da fé, ao ver a ‘via chilena’ para o socialismo em ruínas, destroçada pelas Forças Armadas.
Penso no gesto.
Na nitidez do gesto.
Tão consciente do significado.
A certeza, exposta em seus discursos pela Rádio Magallanes, de que as palavras e o gesto, combinados, haviam de marcar a história chilena, e inegavelmente marcou.
As comparações históricas, devido às singularidades das situações, são sempre complicadas.
Allende estava em Xangai quando das comemorações do quinto aniversário da Revolução Chinesa, e confidenciou ao jornalista Flávio Tavares o quanto o suicídio de Getúlio o impressionou, especialmente a carta-testamento face ao conteúdo fortemente anti-imperialista dela.
Muito provavelmente, Getúlio lhe veio à mente na solidão do La Moneda.
Mais de meio século depois, o exemplo de Allende, as palavras dele soam como absolutamente atuais. Havia afirmado a implacável marcha da história, com o La Moneda cercado. As massas voltariam a ocupar las calles.
Pablo Milanés eternizou Allende, a partir das palavras dele, e nós seguiremos cantando com ele, nesse 11 de setembro de 2026:
Yo pisaré Las Calles Nuevamente
Yo pisaré las calles nuevamente
De lo que fue Santiago ensangrentada
Y en una hermosa plaza liberada
Me detendré a llorar por los ausentes
Yo vendré del deserto calcinante
Y saldré de los bosques y los lagos
Y evocaré en un cerro de Santiago
A mis Hermanos que murieron antes
Yo unido al que hizo mucho e poco
Al que quiere la pátria liberada
Dispararé de las primeras balas
Más temprano que tarde sin reposo
Retornarán los libros, las canciones
Que quemaron las manos asesinas
Renacerá mi pueblo de su ruina
Y pagarán su culpa los traidores
Un ñino jugará en uma alameda
Y cantará com sus amigos nuevos
Y ese canto será el canto del suelo
A una vida segada en La Moneda
Yo pisaré las calles nuevamente
De lo que fue Santiago ensangrentada
En uma hermosa plaza liberada
Me detendré a llorar por los ausentes
As ruas de Santiago, e de todo o Chile, as cidades e os campos de América Latina, jamais se esquecerão de Allende. Ainda mais, numa conjuntura de um golpe fascista rondando o Brasil.
Allende, presente!
Emiliano José é jornalista e escritor, autor de Lamarca: O Capitão da Guerrilha com Oldack de Miranda, Carlos Marighella: O Inimigo Número Um da Ditadura Militar, Waldir Pires – Biografia (v. I), entre outros
Referência:
MONIZ BANDEIRA, Luiz Alberto. Fórmula para o caos: ascensão e queda de Salvador Allende (1970-1973) / Luiz Alberto Moniz Bandeira. – Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2008, 640 p. (517-543).
