Passado o recesso e votada a denúncia contra o presidente golpista Michel Temer, as principais matérias que devem ser pautadas dentro do Congresso Nacional são as reformas Política, da Previdência e Tributária. A Reforma Política está em análise em comissão especial da Câmara dos Deputados, cujo relator é o deputado Vicente Cândido (PT-SP). Para entrar em vigor nas eleições de 2018, as medidas devem ser aprovadas até 7 de outubro de 2017. Já a Reforma da Previdência está pronta para votação no plenário da Câmara, enquanto a Reforma Tributária está em comissão especial da casa, com relatoria do deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR).
Entre as medidas que serão analisadas no relatório do deputado Vicente Cândido e pelos membros da Comissão Especial estão a mudança no sistema eleitoral e a criação de um fundo para campanhas eleitorais. No atual sistema proporcional, para eleger um legislador em qualquer esfera, uma coligação deve atingir o quociente eleitoral, ou seja, a razão entre o número de eleitores e o número de cadeiras disponíveis na casa legislativa, seja Câmara dos Deputados, Assembleia Legislativa ou Câmara de Vereadores. Com a mudança, poderiam ser adotados sistemas distritais, no qual os mais votados em um distrito são os que têm acesso às cadeiras.
Os sistemas eleitorais cogitados são o distrital misto, adotado em países como Alemanha, no qual voto distrital e proporcional são combinados de modo a garantir a representação dos partidos, ou o Distritão, no qual os mais votados são eleitos independente de seus partidos, modelo adotado em apenas quatro países no mundo: Vanuatu, Tuvalu, Afeganistão e Ilhas Pitcairn. O relator deve apresentar as alterações na Comissão ainda nesta semana.
Já a Reforma da Previdência, de acordo com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), deve ser votada até setembro. Para ser aprovada, o governo golpista precisa de 308 votos em dois turnos de votação, número distante dos 263 obtidos na votação da denúncia. Em relação à Reforma Tributária, há divergências: o relator pretende votá-la em agosto, e o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Eduardo Refinetti Guardia, anunciou que esta só será votada após a aprovação da previdenciária.
