O Partido dos Trabalhadores iniciou uma campanha nacional para pressionar o Senado a votar a PEC que acaba com a escala 6×1. A convocação foi feita pelo presidente nacional da legenda, Edinho Silva, em mensagem dirigida à militância, às bases partidárias e aos movimentos sociais na reta final antes da interrupção das atividades parlamentares.

Edinho destacou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva como principal liderança política da mudança e pediu que a mobilização alcance as redes sociais e os estados. “Precisamos fazer com que a PEC seja aprovada também no Senado Federal”, afirmou. Segundo ele, a redução da jornada permitirá que trabalhadores tenham mais tempo para a família, o lazer, a saúde, os estudos e a qualificação profissional.

A campanha concentra a cobrança sobre Davi Alcolumbre, responsável por encaminhar a tramitação da proposta no Senado. Desde que chegou à Casa, em 28 de maio, a PEC não recebeu relator nem foi enviada à Comissão de Constituição e Justiça. A ausência de um calendário contrasta com a aprovação por ampla maioria na Câmara, onde o texto recebeu 461 votos favoráveis e 19 contrários no segundo turno.

Mobilização começou nas ruas

A iniciativa partidária dá continuidade aos atos realizados em 30 de junho, convocados pelas frentes Brasil Popular e Povo sem Medo. Centrais sindicais, movimentos sociais e militantes promoveram manifestações em capitais para cobrar do Senado a votação da PEC. Na ocasião, Edinho afirmou que a vitória na Câmara havia sido construída pela pressão dos trabalhadores e que a mobilização precisava continuar.

“Temos urgência na aprovação dessa matéria”, disse o presidente do PT ao convocar os atos. O partido também orientou apoiadores a procurar os senadores diretamente e ampliar a defesa da medida nas plataformas digitais.

Edinho já havia classificado a redução da jornada como correção de uma injustiça histórica. Para o dirigente, a pauta atravessa décadas e remonta aos debates da Constituinte de 1988. Ele atribuiu a aprovação na Câmara ao empenho de Lula, à mobilização social e à sensibilização de bancadas de diferentes partidos.

O calendário tornou a pressão mais urgente. Com a interrupção das votações em julho e a redução das sessões presenciais durante a campanha eleitoral, o texto pode permanecer sem análise até depois do primeiro turno. O PT busca elevar o custo político do adiamento e manter a jornada de trabalho entre os principais temas do debate eleitoral.