Em um marco para a medicina e a autonomia individual, hospital de Barcelona utiliza, pela primeira vez no mundo, tecidos de uma paciente em eutanásia para devolver funções vitais e identidade a uma mulher atingida por infecção grave

O Hospital Vall d’Hebron, de Barcelona, realizou um transplante facial considerado pioneiro ao utilizar, pela primeira vez no mundo, o rosto de uma doadora que havia solicitado morte assistida e, antes do procedimento, manifestou o desejo de doar o tecido para a cirurgia, informou o hospital.
A intervenção transplantou tecido composto da região central da face e mobilizou cerca de 100 profissionais, incluindo psiquiatras e imunologistas, segundo a instituição. A coordenadora de transplantes do hospital, Elisabeth Navas, disse que a decisão da doadora demonstrou “um nível de maturidade que deixa alguém sem palavras”, ao dedicar um dos últimos desejos “a uma desconhecida” e oferecer “uma segunda chance” dessa magnitude.
A receptora, identificada apenas como Carme, sofria necrose de tecidos faciais após uma infecção bacteriana provocada por uma picada de inseto, quadro que afetou sua capacidade de falar, comer e enxergar; “quando me olho no espelho em casa, penso que estou começando a me parecer mais comigo”, afirmou ela em entrevista coletiva, relatando boa evolução na recuperação. Para esse tipo de transplante, doadora e receptora precisam ter o mesmo sexo, o mesmo grupo sanguíneo e tamanho de cabeça semelhante.
Um porta-voz do hospital não informou a data exata por razões de privacidade, mas disse à Reuters que a cirurgia ocorreu no outono de 2025. O caso se insere num contexto em que a Espanha se mantém há décadas como referência mundial em transplantes.
Desde 2021, a Espanha é o quarto país da União Europeia a legalizar a eutanásia, segundo dados citados na reportagem; no ano passado, foram realizados cerca de 6.300 transplantes de órgãos no país, e em 2024, 426 pessoas receberam assistência para morrer, de acordo com números do governo mencionados pela agência.
Fonte: Reuters.
