Grupo já havia aceitado a transferência para outro local, mas necessita de mais tempo para realizar a mudança

O Teatro do Contêiner Munguzá foi fechado definitivamente pela Prefeitura de São Paulo no último dia 15. O terreno localizado no centro da cidade foi retomado e lacrado na presença da Guarda Civil Metropolitana (GCM). De acordo com um dos gestores da instituição, Lucas Breda, a ação foi uma surpresa para o grupo, que vem tentando fazer contato com a Secretaria da Cultura do Município desde o final de dezembro, mas não obteve respostas.

Segundo Breda, o grupo já tinha concordado em ir para outro espaço indicado pela prefeitura, na rua Helvétia, 807, também no centro de São Paulo, mas precisa de um tempo maior para fazer a mudança. Desde que o local foi lacrado, a companhia não tem mais acesso ao seu acervo e equipamentos, que permanecem no local.

O teatro formado por 11 contêineres assumiu a função de equipamento público há mais de dez anos. Desde sua criação, já sediou mais de 4 mil atividades culturais, a maioria gratuita. Ao lado do teatro, atua também o Coletivo Tem Sentimento, que acolhe mulheres e homens trans com oficinas voltadas à geração de renda. Na praça onde estão instalados, há ainda quadra, playground, estúdio e sala pedagógica.

O terreno vem sendo objeto de disputa judicial entre a companhia e a gestão municipal há meses em um processo marcado por autoritarismo e falta de diálogo com o poder público. Em maio de 2025, a Companhia foi notificada pela Prefeitura para desocupar o local. Em agosto, a Justiça havia concedido uma liminar para permanência do grupo no local por 180 dias, mas depois derrubou para 90 dias. O espaço pertence à prefeitura, que diz querer usá-lo para construir unidades habitacionais populares, uma quadra de esportes e também para revitalizar o entorno.