O Partido dos Trabalhadores aprovou, no fim de abril, o documento “Construindo o futuro: Manifesto do PT para seguir transformando o país”, que passa a orientar a estratégia da legenda para as eleições de 2026.
Consolidado durante o 8º Congresso Nacional do partido, realizado em Brasília entre os dias 24 e 26, o texto organiza um conjunto de propostas de reformas estruturais e reafirma a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva como eixo político da tática partidária.
O manifesto pode ser acessado na íntegra aqui.
Mais do que um balanço do momento, o documento sistematiza diretrizes para o próximo ciclo a partir da leitura de um cenário de reorganização política, econômica e institucional. O texto afirma que “vivemos uma mudança de época”, marcada pela crise do modelo neoliberal e por disputas sobre os rumos do desenvolvimento.
Reformas no centro do Manifesto
O manifesto elenca um conjunto de reformas consideradas centrais. Entre elas estão a reforma política e eleitoral, com o objetivo de ampliar a participação e alterar o funcionamento do sistema de representação; a reforma tributária, com foco na redução da desigualdade e na ampliação da progressividade; mudanças no funcionamento do Judiciário; e uma agenda voltada à soberania tecnológica e produtiva.
Também aparecem como prioridades a reconstrução da capacidade administrativa do Estado, a reforma agrária com ênfase na soberania alimentar e a reforma da comunicação, com enfrentamento à concentração no setor. No campo social, o documento defende a ampliação da educação em tempo integral, a universalização de políticas públicas e a redução da jornada de trabalho, com o fim da escala 6×1.
Estratégia para 2026
A estratégia delineada pelo partido está diretamente vinculada ao cenário de 2026. O documento parte da avaliação de que a disputa eleitoral ocorrerá em um ambiente de polarização e reorganização das forças políticas, com a necessidade de construção de maiorias capazes de sustentar um novo ciclo de desenvolvimento.
Nesse contexto, a reeleição de Lula é apresentada como elemento central para dar continuidade às políticas em curso e viabilizar o avanço das reformas propostas.
Balanço e direção de governo
O texto incorpora um balanço das ações do governo desde 2023, destacando a retomada de programas sociais, políticas industriais e investimentos públicos. São mencionados a recomposição de políticas de transferência de renda, a valorização do salário mínimo, a redução do desemprego e a ampliação de iniciativas na educação e na saúde, além da reativação de instrumentos de planejamento e financiamento do desenvolvimento.
O documento sustenta que esses resultados marcam uma inflexão em relação ao período anterior, apontando a recuperação de indicadores sociais e econômicos e a recomposição da capacidade de atuação do Estado.
Soberania e cenário internacional
No plano internacional, o manifesto associa a agenda doméstica a um cenário de mudanças na ordem global, com disputas econômicas, tecnológicas e geopolíticas em curso. A defesa da soberania aparece vinculada ao controle de recursos estratégicos, ao desenvolvimento tecnológico e à inserção ativa do Brasil em articulações multilaterais.
O texto também afirma que “não há desenvolvimento possível sem autonomia”, ao relacionar a agenda econômica à capacidade do país de definir suas próprias estratégias produtivas e tecnológicas.
Organização e base social
Além da agenda econômica e institucional, o manifesto aborda a organização partidária. O texto defende o fortalecimento das instâncias do partido, a ampliação da presença nos territórios e a atualização das formas de organização da classe trabalhadora, com ênfase na atuação de base e no diálogo com diferentes setores da sociedade.
A aprovação do documento consolida uma síntese política que combina balanço de governo, diretrizes programáticas e estratégia eleitoral. Ao colocar o manifesto no centro de sua atuação, o PT organiza sua intervenção no debate público e estrutura o caminho para as eleições de 2026 a partir de um programa que articula reformas, desenvolvimento e participação social.
