Ministro da Fazenda afirma que enfrentar privilégios e reduzir a desigualdade é decisivo para sustentar o projeto do governo e disputar a narrativa econômica contra a extrema direita

Haddad afirmou que Bolsonaro jogou no colo de Lula uma dívida de R$ 160 bi

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que a justiça tributária ocupa lugar central na disputa política em curso no país e será um dos temas decisivos do próximo ciclo eleitoral. Para ele, o governo Lula escolheu enfrentar um dos nós históricos da desigualdade brasileira ao propor mudanças no sistema de impostos.

“O presidente Lula colocou o dedo na ferida”, disse, ao defender o enfrentamento direto aos privilégios fiscais.

Haddad ressaltou que medidas como a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até dois salários mínimos e a taxação dos super-ricos não devem ser tratadas como pautas ideológicas, mas como instrumentos básicos de equilíbrio social e econômico.

“Pobre paga imposto demais, rico paga de menos”, afirmou, ao sintetizar o desequilíbrio estrutural que marca o sistema tributário brasileiro.

Segundo o ministro, a resistência às mudanças revela o peso dos interesses contrariados e ajuda a explicar a reação política organizada contra o governo. Para Haddad, a extrema direita se beneficia da distorção do debate econômico, ao transformar privilégios em supostos direitos e ao disseminar desinformação sobre políticas de redistribuição.

Nesse contexto, defender a justiça tributária passa a ser também uma disputa de narrativa.

Haddad afirmou ainda que enfrentar a desigualdade não é apenas uma questão fiscal, mas uma condição para a estabilidade democrática. Sem um Estado capaz de distribuir renda, proteger os mais vulneráveis e explicar suas escolhas, abre-se espaço para o avanço da antipolítica. Para o ministro, sustentar o projeto liderado por Lula exige clareza sobre quem paga a conta do Estado e quem se beneficia das políticas públicas.