Em evento do Minha Casa, Minha Vida, presidente afirma que o sistema financeiro arca com fraudes enquanto políticas sociais seguem sob ataque

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Durante a cerimônia de entrega de moradias do programa Minha Casa, Minha Vida, realizada em Maceió, na sexta-feira, 23 de janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou como “golpe bilionário” o suposto esquema de fraudes envolvendo o Banco Master.

Ao comentar o caso, Lula associou o episódio à concentração do sistema financeiro e à desigualdade estrutural que marca a economia brasileira.

O presidente afirmou que não é aceitável que políticas de transferência de renda e programas sociais sejam permanentemente questionados enquanto fraudes de grande escala são relativizadas. Segundo ele, medidas de assistência social estimulam o consumo, movimentam a economia e garantem condições mínimas de dignidade à população mais pobre.

“Não é possível que a gente continue vendo o pobre ser sacrificado enquanto tem um cidadão do Banco Master que deu um golpe de mais de R$ 40 bilhões. E quem vai pagar é o sistema financeiro. Quem vai pagar são os bancos. É o Banco do Brasil, é a Caixa Econômica, é o Itaú”, afirmou o presidente.

Lula também criticou setores que, segundo ele, saem em defesa do responsável pela instituição financeira, sem citá-lo nominalmente. A referência foi ao controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro.

Para o presidente, esse tipo de postura revela uma inversão de prioridades no debate público, em que políticas sociais são tratadas como problema enquanto práticas lesivas ao sistema financeiro recebem complacência.

O papel do Fundo Garantidor de Créditos

Ao explicar sua afirmação de que a conta não recairia sobre o governo, Lula fez referência ao Fundo Garantidor de Créditos. O Fundo Garantidor de Créditos é um mecanismo privado de proteção aos depositantes, mantido por contribuições das próprias instituições financeiras, públicas e privadas, e não utiliza recursos diretos do Tesouro Nacional.

O fundo garante depósitos até o limite de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição, com teto global de R$ 1 milhão a cada quatro anos, segundo dados oficiais do FGC.

As declarações do presidente recolocam no centro do debate a assimetria do sistema financeiro brasileiro e os limites da proteção institucional diante de fraudes de grande escala.

Ao tratar do tema em uma agenda dedicada à política habitacional, Lula reforçou o vínculo entre escolhas econômicas, justiça social e a disputa sobre quem efetivamente arca com os custos das crises financeiras.