O Partido dos Trabalhadores oficializou, no domingo, 2, a candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição, durante convenção partidária realizada em São Paulo. Lula terá novamente Geraldo Alckmin, do PSB, como candidato a vice-presidente, repetindo a chapa vitoriosa de 2022.

Diante de um cenário eleitoral marcado pela candidatura de Flávio Bolsonaro e pela reorganização dos campos políticos, Lula dedicou parte central do discurso ao legado construído pelo governo federal desde 2023. O presidente afirmou que as entregas realizadas até agora serão a base para apresentar novos compromissos ao país.

“O que motiva um governo a ganhar uma eleição é se o legado dele for merecedor de confiança e de respeito. Quem fez pode prometer mais. Quem não fez não tem o que prometer. Essa é a lógica da nossa campanha”, declarou.

Lula mencionou programas e medidas adotados ao longo do terceiro mandato e defendeu que um eventual novo governo deverá representar um “salto de qualidade” no desenvolvimento brasileiro.

“Do básico nós já cuidamos. O povo já está comendo, o povo já está com benefício. Vocês não têm noção do significado desse Agora Tem Especialistas, a revolução desse programa. Agora que nós estamos com o básico garantido, é hora de dar um salto de qualidade. É hora de pensar neste país. Qual é o país do futuro que eu vou entregar?”, questionou.

O presidente também dedicou parte do pronunciamento ao combate à violência contra as mulheres. Lula afirmou que agressores não precisam votar em sua candidatura e atribuiu aos homens a responsabilidade de enfrentar o feminicídio e as diferentes formas de violência de gênero.

“O cara vai ter que escolher: ou ele vota em mim ou ele bate na mulher. Se bater na mulher, não precisa votar em mim. Pega a sua mão e vota em quem você quiser”, disse.

A seguir, os principais trechos do discurso:

Legado do governo federal

“Todo mundo sabe que nós somos a única candidatura que não tem que contar uma mentira. Nós não temos que contar uma inverdade nesta campanha. Nós não temos que inventar nada para dizer para o povo. Quem é governo não pode fazer um programa de governo dizendo um monte de coisa que ainda vai fazer. Porque o povo vai perguntar: ‘Se ia fazer, por que não fez?’. O que motiva um governo a ganhar uma eleição é se o legado dele for merecedor de confiança e de respeito. Quem fez pode prometer mais. Quem não fez não tem o que prometer. Essa é a lógica da nossa campanha.”

Violência contra as mulheres e feminicídio

“Só vai acabar no dia em que a gente acabar com a violência neste mundo. Sobretudo com a violência de homem contra mulher neste país. E o PT tem que ter coragem. O meu governo tem que ter coragem de dizer em alto e bom som. Não tem problema que eu perca algum voto. Mas não é necessário e não é possível. O cara vai ter que escolher: ou ele vota em mim ou ele bate na mulher. Se bater na mulher, não precisa votar em mim. Pega a sua mão e vota em quem você quiser. Eu quero criar uma sociedade de respeito. Quero criar uma sociedade de compartilhamento. Uma sociedade em que as pessoas vivam em harmonia. (…) Portanto, a luta contra a violência contra a mulher não é uma luta das mulheres. É uma luta de nós, homens, que somos os violentos.”

Educação como prioridade nacional

“Eu sou candidato pela quarta vez para resolver definitivamente o papel da educação neste país. (…) Significa que a gente não vai poder ficar chorando atrás da miséria que sobra do orçamento. Significa que a gente vai ter que aprovar uma coisa especial para garantir que, em dez anos, a gente resolva o problema da educação neste país. Porque, sem educação, a gente não chegará aonde tem direito de chegar. Por isso, é preciso investir. Ciência e tecnologia. É importante a gente tomar a decisão de investir mais. Porque, se a gente não investir em pesquisa, em formar cientistas, a gente não vai chegar lá.”

Inclusão social como marca histórica

“Pesquisem. E vocês vão perceber que houve dois grandes momentos de inclusão social neste país. O primeiro foi o de Getúlio Vargas, que não era operário. Era fazendeiro. Com a criação do salário mínimo, em 1936, que tirou o povo do abandono para dar um salário. Depois, em 1943, com a criação da CLT, que tirou o povo da semiescravidão. Deu direitos. Deu jornada de trabalho. Deu férias. Deu um monte de coisas para nós que hoje muita gente acha ruim. (…) A segunda política de inclusão social é nossa. É do governo Lula e do governo Dilma.”

Soberania e riquezas brasileiras

“Eu quero estar preparado para a paz. Quero estar preparado para a paz. Não para a guerra. Quero estar preparado para que ninguém ouse se fazer de besta conosco. (…) Eu quero que vocês saibam que vou levar muito a sério esse negócio das terras raras e dos minerais críticos. Tem muita gente metendo o dedo no nosso nariz. Tem muita gente metendo o dedo na nossa terra. Isso vai parar. Isso é um patrimônio do povo brasileiro. Quem tem que lucrar com isso é o povo brasileiro. E nós temos que utilizar a nossa capacidade de investimento, nosso conhecimento científico e tecnológico, para sermos donos da exploração, da transformação e da utilização dessas riquezas.”

Mudanças estruturais em um eventual quarto mandato

“A minha quarta Presidência é para mudar muita coisa neste país. Quero que vocês saibam. Vai ter briga. Vai ter briga com emenda parlamentar. Vai ter briga com o papel que hoje tem o Poder Legislativo. (…) Então, neste quarto mandato, vocês vão ver. Eu não quero o Lulinha paz e amor. Eu quero o Lulinha porreta. Eu quero o Lulinha que vai fazer o que a gente ainda não fez. Porque do básico nós já cuidamos. O povo já está comendo, o povo já está com benefício. Vocês não têm noção do significado desse Agora Tem Especialistas, a revolução desse programa. Agora que nós estamos com o básico garantido, é hora de dar um salto de qualidade. É hora de pensar neste país. Qual é o país do futuro que eu vou entregar?”