Em uma emocionada e última participação no Prime Minister’s Questions (a tradicional sessão de perguntas ao primeiro-ministro na Câmara dos Comuns), Keir Starmer defendeu seu histórico à frente do gabinete de governo do Reino Unido e se despediu do cargo, que deixará na próxima segunda-feira, quando passará o comando a Andy Burnham. A sessão, acompanhada por sua esposa e filhos, além de cidadãos cujas vidas foram tocadas por suas políticas, fugiu das habituais alfinetadas políticas e deu lugar a homenagens. “Todo primeiro-ministro sabe, ao assumir a tocha, que chegará o dia de passá-la adiante. Esse dia chegou para mim. Este é o fim da minha jornada política”, declarou, com a voz embargada, encerrando com uma mensagem à família: “Amo vocês. Adeus.”

Questionado sobre uma antiga fala em que dizia que, no número 10 de Downing Street, “quando puxava as alavancas, nada acontecia”, Starmer rebateu com uma defesa de sua gestão de dois anos. “Nós puxamos as alavancas”, afirmou. “Puxamos as alavancas para estabilizar a economia, e estabilizamos a economia. Puxamos as alavancas para fortalecer nossos serviços públicos, e as filas de espera do NHS [sistema público de saúde] estão caindo no ritmo mais rápido em 17 anos.” Ele destacou ainda ações contra a pobreza infantil — segundo ele, as maiores já feitas por um governo britânico — e o maior investimento em defesa e segurança, que teria restaurado o prestígio internacional do país.

O tom de cordialidade atravessou os diferentes campos políticos. A líder conservadora, Kemi Badenoch, abriu mão de suas perguntas combativas para agradecer à família de Starmer “pelo amor e apoio” ao longo de seu mandato; o premiê retribuiu reconhecendo a gentileza dela em momentos difíceis, como o ataque à sua casa e a morte de seu irmão. Até o vice-líder do Reform UK, Richard Tice, poupou o primeiro-ministro. A última pergunta coube à deputada trabalhista Carolyn Harris que, contendo as lágrimas, exaltou a forma como Starmer reergueu o Partido Trabalhista após a derrota eleitoral de 2019: “Hoje, por causa de seu serviço e de sua liderança, as crianças estão crescendo em uma Grã-Bretanha mais justa.”

A despedida foi saudada com aplausos de muitos parlamentares, interrompidos pelo presidente da Casa, Lindsay Hoyle, ao lembrar que aplausos não são permitidos no plenário.

(Informações do The Guardian e BBC)