
“Agora vos ofereço a minha morte. Nada receio. Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na História.” Foi com essa frase que Getúlio Vargas se despediu da Presidência da República e do povo brasileiro por meio de sua carta-testamento.
Sua morte, ocorrida em 24 de agosto de 1954, tornou-se um marco da história republicana do país e ainda é objeto de estudos sobre as circunstâncias em que ocorreu e, sobretudo, sobre o legado construído por Vargas.
Na manhã daquele dia, Getúlio Vargas se suicidou com um tiro no peito, no Palácio do Catete, no Rio de Janeiro. O presidente enfrentava uma grave crise política após o atentado da Rua Tonelero contra Carlos Lacerda e a crescente pressão de setores das Forças Armadas por sua renúncia.
Horas antes, oficiais de alta patente haviam rejeitado sua proposta de afastamento temporário durante as investigações e defendido sua saída definitiva do cargo.
Na carta-testamento, Vargas apresentou sua morte como resposta às pressões de grupos nacionais e internacionais contra seu governo e suas políticas. O documento relacionava sua decisão à defesa da legislação trabalhista e de um projeto nacional de desenvolvimento.
A notícia provocou forte reação popular em diversas cidades brasileiras, com protestos dirigidos contra setores políticos e veículos de imprensa identificados como adversários do governo.
No Rio de Janeiro, a mobilização popular atingiu instalações militares e sedes de órgãos de imprensa. Durante o cortejo que acompanhou o corpo de Vargas até o Aeroporto Santos Dumont, manifestantes entraram em confronto com soldados da Aeronáutica, que abriram fogo contra a multidão, deixando mortos e feridos.
Da Revolução de 1930 ao Estado Novo
A trajetória política de Getúlio Vargas, marcada por profundas transformações estruturais, dividiu-se entre a chamada Era Vargas, de 1930 a 1945, e seu posterior mandato democrático, entre 1951 e 1954.
No primeiro período, impulsionado pela Revolução de 1930, Vargas centralizou o Poder Executivo e alternou-se entre governos provisório e constitucional até consolidar a ditadura do Estado Novo, em 1937. Essa fase, embora restritiva às liberdades civis, foi o motor da modernização do Brasil por meio de um forte nacionalismo econômico, que culminou na criação de indústrias de base e na promulgação da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
O retorno pelo voto popular
Após ser deposto em 1945, com o fim do Estado Novo, Vargas retornou ao Palácio do Catete pelo voto popular, em 1951. Seu governo foi voltado à soberania energética e marcado pela criação da Petrobras, em 1953.
O segundo mandato, contudo, enfrentou uma grave crise inflacionária e o acirramento das tensões com as Forças Armadas e a oposição liderada pela União Democrática Nacional (UDN).
Pressionado pelos desdobramentos do atentado da Rua Tonelero e pela exigência militar de que deixasse o cargo, Vargas morreu em 24 de agosto de 1954. A notícia provocou manifestações populares em várias cidades e alterou imediatamente o cenário da crise política que atingia o governo.
Com informações consultadas no Centro Sérgio Buarque de Holanda (CSBH), da Fundação Perseu Abramo
