O ato realizado em Brasília no dia 20 de fevereiro marcou o lançamento da campanha pelas reformas democráticas pelos partidos de esquerda do Brasil. O presidente da Fundação Perseu Abramo, Ricardo de Azevedo, fala sobre a importância de um trabalho conjunto entre as fundações.
Ato pelas reformas democráticas – 20/2 – Brasília

Acervo IMG


Fundações de cinco partidos políticos se uniram em torno de um movimento por reformas democráticas. O que essas fundações esperam alcançar?

Em primeiro lugar, colocar para o país uma pauta positiva de transformações fundamentais necessárias. A pauta da direita e da mídia é uma pauta negativa, em grande medida que não tem relação com a realidade; ficam inventando coisas, apagão, febre amarela, cartão corporativo, entre outros, que são abandonadas rapidamente. Queremos colocar uma pauta que toque as grandes questões necessárias para uma transformação política no país. Várias dessas já foram objeto de campanha desde as décadas de 1950, 1960, quando as reformas de base colocavam a forma agrária, a educacional, a urbana como temas centrais. E o segundo objetivo é sinalizar no sentido de uma aproximação dos partidos de esquerda que fazem parte da base de sustentação do governo Lula. Essa base é muito ampla, inclusive com a participação de partidos de centro, mas é fundamental que dentro dessa base os partidos de esquerda tenham uma atuação conjunta, mais propositiva.

Então, no entender das fundações, as mudanças que o governo Lula vem implementando ainda não são suficientes?

No entender das fundações e dos partidos, e acho que do próprio presidente Lula, muita coisa está sendo realizada, está em curso. Mas falta muita coisa. Em cinco anos não se teve condições de realizar tudo o que era necessário. Nesse sentido é importante que a esquerda, dentro da coalizão mais ampla, empunhe suas bandeiras, mobilize a sociedade em torno delas, e pressione – no bom sentido – o governo a radicalizar nesse rumo de transformações.

Qual a importância de se realizar um ato político no Congresso Nacional no momento em que são retomados os trabalhos legislativos?

Acho que ele é muito simbólico nesse sentido que apontei de aproximação de partidos de esquerda. Na realidade, até certo ponto, até o fim do ano passado, havia de um lado o PT, e de outro, o chamado bloquinho que aglutinava o PCdoB, o PDT, o PSB e o PRB. O congresso do PT aprovou isso, a formação de um bloco de esquerda que incluísse o próprio partido e mais os que integravam o bloquinho.


É uma iniciativa isolada ou as fundações pretendem agir conjuntamente em outras áreas?

Esse movimento pelas reformas se desdobra em diversas ações, mas não é uma iniciativa única. No fim do ano passado foi realizado um primeiro encontro para começar a discutir o Parlamento do Mercosul. Essa é uma questão que está colocada porque em 2010 haverá eleições para eleger os parlamentares que nos representarão no Mercosul. É necessário, nesse processo, configurar blocos políticos e nós privilegiamos esses setores na elaboração de uma lista comum para as eleições de 2010.

Muita gente não conhece o funcionamento e a finalidade das fundações partidárias. Fale um pouco sobre isso.

Os partidos precisam responder a demandas imediatas, ao dia-a-dia. As fundações têm um papel mais prospectivo, muito mais de investigação, de estudo, de análise, de elaboração de propostas, o que subsidia os partidos, os movimentos sociais e a intelectualidade progressista que encontram nas fundações fontes importantes para desenvolvimento de trabalhos como a investigação da realidade brasileira