14º Encontro Nacional de Mulheres do PT, realizado no último fim de semana, reuniu militantes de todo o país em um espaço de formação política, construção coletiva e definição de estratégias para os próximos anos

As mulheres do PT realizaram seu 14º Encontro Nacional entre os dias 30 e 31 de janeiro e 1º de fevereiro, em Goiás, com mais de 700 pessoas presentes. O Encontro, além de seu caráter organizativo e de renovação da Secretaria Nacional de Mulheres, foi formativo e de preparação para o futuro.
A Fundação Perseu Abramo organizou atividades e debates, como os seminários ‘Desafios das mulheres na organização partidária’ e a ‘A identidade das Mulheres do PT no programa de governo 2026’. E apresentou a Pesquisa da FPA e Sesc: “Mulheres e Gênero nos Espaços Público e Privado” e Eleições 2026: “Sem Mulheres, Não Há Vitória!” (Enfrentar a violência política de gênero, ampliar a participação das mulheres nos espaços de poder e reeleger Lula).
A abertura do Encontro contou com a presença e participação das diretoras da Fundação Perseu Abramo, Mônica Valente e Elen Coutinho, além do presidente nacional do partido, Edinho Silva, da primeira-dama Janja e da ministra Anielle Franco.
Ao longo da programação, foram realizados debates sobre conjuntura, identidade das mulheres petistas, combate ao racismo, organização partidária e a construção do programa de governo para 2026. Pela manhã, foi apresentado um mini-documentário de história oral da Fundação Perseu Abramo sobre o combate ao racismo, e, à tarde, ocorreram mesas dedicadas à identidade das mulheres do PT e às diretrizes políticas para o próximo período.
Na mesa de abertura, a diretora Mônica Valente expressou a felicidade daquele momento: “é uma alegria no coração ver todas nós aqui com essa mesa maravilhosa. Tanto tempo que a gente está precisando fazer um encontro ao vivo a cores. Passamos por tanta coisa”.
Para Mônica, “a construção da unidade nesse Encontro Nacional de Mulheres do PT” e a atuação de Anne Moura “é a condição da vitória”. O retorno dos encontros presenciais, as possibilidades dos debates pautados e a disposição do presidente Edinho “nos revigora, traz alegria no coração”, comemorou.
E a alegria precisa embalar as tarefas essenciais desse ano. Na avaliação de Mônica Valente “a primeira é seguir construindo o PT, o poder das mulheres dentro do PT e a transformação da classe trabalhadora, em especial da mulher trabalhadora. A segunda tarefa mais importante ou tão importante quanto é reeleger o presidente Lula, a maior liderança de esquerda e popular do mundo. E por fim, a terceira tarefa é eleger a maior bancada de mulheres que a gente conseguir no Brasil, na Câmara Federal, nas assembleias estaduais e já nos preparar para daqui dois anos eleger mulheres, vereadoras e prefeitas. Tem que pensar longe, pensar alto e pensar grande. E nós damos conta”.
O 14º Encontro Nacional de Mulheres do PT foi marcado por intensa participação, formação política e emoção. Com unidade, foi eleita a nova secretária nacional de Mulheres, Mazé Morais, e também houve a despedida da gestão exemplar de Anne Moura, encerrando um ciclo de nove anos de trabalho comprometido, luta organizada e construção coletiva.
O Encontro reafirmou que a luta das mulheres e o feminismo são centrais no projeto político do PT e seguem como espaços fundamentais para fortalecer a participação, organizar demandas e consolidar propostas para um Brasil mais justo e democrático.
FPA e as lutas das mulheres
As discussões sobre “A identidade das Mulheres do PT no programa de governo 2026” contou com participação de Misiara Oliveira, integrante da Comissão Executiva Nacional do PT e atual secretária-adjunta de Relações Internacionais do partido (SRI-PT).; Ellen Coutinho, da FPA; e Plúvia Oliveira, vereadora de Mossoró (RN).
Para Elen Coutinho, diretora responsável pelo Centro de Documentação e Memória Política Sérgio Buarque de Holanda da Fundação Perseu Abramo, “o encontro foi grande e muito representativo. Mulheres diversas, vindas da luta social, estiveram presentes e debateram os desafios e problemas que atingem as mulheres brasileiras. O debate sobre programa, do qual participei representando a FPA, foi muito rico, abordando desde temas como política de cuidados e saúde mental até o enfrentamento do feminicídio e da violência contra as mulheres, de forma transversal, no programa de governo que as mulheres vão construir para a campanha do PT em 2026”.
Elen também relatou que foram realizados grupos de trabalho para discutir formação política, a participação das mulheres petistas no congresso do PT, em abril, e a organização partidária, “especialmente sobre como garantir que a paridade de gênero nas instâncias do partido seja efetivamente cumprida, inclusive nas funções partidárias”. A diretora da FPA afirmou que o encontro foi um espaço “muito plural e rico para organizar e fortalecer a intervenção das mulheres do PT na política”.
Pesquisas: brasileiras e as petistas
Tássia Rabelo, secretária nacional de Formação e Educação Política do PT e diretora da Escola Nacional de Formação, destacou que a formação política do PT passa a ter, de forma estruturante e transversal, as dimensões de raça, gênero e classe. Essas perspectivas não são restritas a cursos específicos, mas integram todas as atividades da Secretaria Nacional de Formação e da Escola Nacional de Formação do PT, reafirmando o partido como uma organização comprometida com a classe trabalhadora. As diretrizes da formação política já foram aprovadas por unanimidade.
A formação política, segundo ela, precisa estar articulada à organização política. Por isso, o PT ampliará as linhas de formação, incluindo cursos para dirigentes — com atenção especial às mulheres, diante da recorrente violência política de gênero, inclusive dentro do próprio partido — e para novas filiadas, garantindo portas de entrada e fortalecimento da militância.
A cientista social e pesquisadora da Fundação Perseu Abramo, Sofia Toledo, apresentou dados da 3ª edição da pesquisa “Mulheres Brasileiras e Gênero nos Espaços Públicos e Privados”. De abrangência nacional, o levantamento foi realizado pela Fundação Perseu Abramo, em parceria com o Sesc São Paulo, e busca acompanhar recuos e avanços sociais em relação ao enfrentamento das desigualdades de gênero no país.
Eleição da nova direção e do Coletivo Nacional
Ao final, por aclamação e unidade entre todas as correntes, a companheira Mazé Morais foi eleita como a nova secretária nacional de Mulheres do PT para o período de 2026 a 2029. E aqui é possível ter acesso a tese aprovada.
Quem é Mazé Morais
Natural do Piauí, Mazé é mulher negra, agricultora familiar, sindicalista e trabalhadora rural, filiada ao PT desde os 18 anos. Ela traz para o PT o legado da Marcha das Margaridas, espaço onde se consolida como liderança e de onde segue fortalecendo a organização das mulheres do campo.
A nova secretária foi eleita de forma unânime entre todas as tendências. Mazé tem o desafio de dar continuidade à ampliação do número de mulheres — tanto candidatas quanto eleitas —, bem como garantir o apoio e a mobilização das forças femininas do campo progressista à reeleição do presidente Lula.









