O Bolsonarismo saiu na frente no primeiro turno. Esse cenário já era detectado por nós na reta final da campanha. A abstenção em áreas tradicionalmente lideradas pelo campo progressista, foi em grande medida a responsável em colocar o adversário em vantagem. É obvio que são múltiplos os fatores que levaram a essa situação, e não nos cabe nesse momento uma avaliação mais pormenorizada. Entretanto, cabe destacar que as mobilizações que ocorreram logo após a decretação do resultado e o rearranjo interno no comando da campanha Lula-Alckmin permitiram que a sociedade civil desse o rumo nesta disputa de segundo turno. 

Havia em parte do eleitorado “lulista” um certo dissabor com os resultados do terceiro mandato. No entanto, a perspectiva do desmonte das políticas sociais duramente conquistadas tem servido de estímulo para que amplas camadas da população se movimentem no sentido de romper o abstencionismo evitando a derrota de Lula-Alckmin. 

Porque insisto em escrever Lula-Alckmin? Questão simples de responder. 

Foi a construção dessa aliança que permitiu a derrota de Bolsonaro em 2022. Ademais, quem acompanhou o governo nesse atual quadriênio pode perceber a fidelidade e o sentimento de ação coletiva do atual vice-presidente e seu compromisso com as pautas progressistas. Dentre essas pautas destaca-se a reindustrialização. O foco no setor produtivo da economia responsável por grandes atrações de investimento ao Brasil, proporcionando romper com a estagnação do crescimento dos anteriores 8 anos. 

A retomada popular  

A crise originada no STF contaminou visceralmente o processo eleitoral. Os danos causados ao tecido social brasileiro se ombreiam com a tentativa de golpe de 8 de Janeiro. São inadmissíveis que se passem em brancas nuvens. Será, se isso ocorrer, a institucionalização do vale tudo por parte de poderosos e um péssimo exemplo para o povo brasileiro. 

Passando por cima de tudo isso, o povo foi às ruas para conter a avalanche de extrema-direita que, ávida pela quebra dos direitos sociais e pela captura das instituições, quer criar com o respaldo da “maioria” uma ditadura “consentida”. 

As maiores manifestações desde a campanha das Diretas trazem em si o ressurgimento do elemento povo que por razões variadas esteve ausente nos últimos períodos. 

A ocupação das ruas e das redes sociais surpreendeu os fascistas que já davam a sua vitória como fato consumado. 

Subiram no salto alto. E em política e na guerra, a eleição é uma guerra de posições, o pior desastre é subestimar o adversário.  

O confronto tête-à-tête 

Lula recentemente disse: “Eu gosto da disputa tête-à-tête”. Nesse segundo turno teremos pelo menos dois debates: Band e Globo. E o adversário sem nenhuma bagagem administrativa e estofo político se defrontará com uma liderança para lá de experimentada. 

O extremista de direita não poderá fugir. Terá que expor publicamente seus projetos de Brasil sob o escrutínio direto da população. Sem mentir, já que a mentira é patológica nas cercanias do extremismo direitista. 

Da nossa parte, nos cabe fazer ressoar as propostas de Lula-Alckmin, diminuir o abstencionismo e ganhar votos.  

Dá para ganhar sim!