queda acumulada do dólar ao longo de 2026 tem sido apontada pelo mercado como o principal fator de estímulo para o aumento das compras dos brasileiros no exterior. Os gastos já somam, somente no primeiro semeste, US$ 12,61 bilhões, informou o Banco Central (BC) nesta terça-feira (28).

Isso representa um crescimento de 22,5% na comparação com o mesmo período do ano passado, quando somaram US$ 10,3 bilhões. Esse também é o maior valor para os seis primeiros meses de um ano desde o início da série histórica do BC, em 1995.

Em relação aos seis primeiros meses de 2025, as despesas de brasileiros em viagens internacionais registraram um aumento de alta de 22,5%. Na época, os gastos no exterior totalizaram US$ 10,3 bilhões.

Somente no mês de junho, o Banco Central contabilizou US$ 2,2 bilhões em despesas de brasileiros em viagens ao exterior. Já os estrangeiros gastaram US$ 800 milhões em viagens pelo Brasil.

A queda do dólar acontece em meio à tensões no Oriente Médio. A percepção do mercado é de que o Brasil, por ser um exportador de petróleo, se encontra em situação melhor do que outras economias e que a venda do produto contribui para o ingresso de divisas no país (valorizando o real).

Queda no déficit das contas externas

Paralelamente aos gastos de viagens, o relatório do Banco Central indicou uma melhora no saldo das contas externas brasileiras. O déficit em transações correntes — indicador que reúne a balança comercial (comércio de bens), a conta de serviços (gastos de brasileiros no exterior) e as rendas (remessas de juros, lucros e dividendos) — apresentou um recuo de 16,34% no primeiro semestre.

Nos primeiros seis meses do ano, o saldo negativo das transações correntes somou US$ 27,47 bilhões, ante um déficit de US$ 32,85 bilhões registrado no mesmo período do ano passado. De acordo com as explicações da autoridade monetária, a dimensão do déficit externo guarda relação direta com o ritmo de expansão da economia: em momentos de desaceleração da atividade econômica, o país tende a moderar a demanda por produtos e serviços importados, o que contribui para encolher o rombo das contas externas.

Investimentos diretos sobem


O BC também informou que os investimentos estrangeiros diretos na economia brasileira registraram aumento no primeiro semestre de 2026.

Os estrangeiros trouxeram US$ 47 bilhões em investimentos entre janeiro e junho de 2026, contra US$ 35,4 bilhões no mesmo período do ano passado.